CARACAS — Representantes de petrolíferas multinacionais demonstraram interesse em operar na Venezuela sob um novo ambiente de negócios supervisionado pelos Estados Unidos. A abertura do setor ao capital privado foi promovida pela líder interina Delcy Rodríguez, enquanto empresas estrangeiras avaliam oportunidades no país, que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
O movimento ocorre após a captura de Nicolás Maduro em janeiro. Desde então, os Estados Unidos passaram a administrar e supervisionar acordos entre empresas norte-americanas e o regime venezuelano. A Cúpula Internacional de Petróleo e Gás da Venezuela (VIOGS 2026), realizada em Caracas, reuniu executivos da Repsol, Siemens AG, Hunt Oil, Maurel & Prom, UCC Holding e GeoPark, além de empresas de serviços de diversos países.
O evento começou na segunda-feira (28), com reuniões privadas, e estava previsto para terminar nesta quarta-feira (30). A Nabep (North American Brue Energy Partners), escolhida pelos Estados Unidos para coordenar um plano de operação em 17 campos venezuelanos, não participou. Esses campos têm reservas de 65 bilhões de barris de petróleo e podem ser concedidos por 100 anos.
Pelo acordo classificado como histórico pelo presidente Donald Trump, os Estados Unidos controlarão 20% das reservas petrolíferas venezuelanas e poderão obter 20% do petróleo a preço de custo. Michael García, chefe adjunto da missão da Embaixada dos Estados Unidos na Venezuela, disse que o objetivo é reabrir o mercado a empresas norte-americanas e internacionais.
Produção e infraestrutura
A infraestrutura do setor se deteriorou após anos de falta de investimentos, problemas de gestão na estatal PDVSA, ausência de manutenção e impacto das sanções internacionais. A produção atual é de 1,2 milhão de barris de petróleo por dia, ante 3 milhões registrados há duas décadas.
O fornecimento de energia elétrica foi um dos principais temas do encontro, que teve duas quedas de energia. Hunter Hunt, CEO da Hunt Energy Holdings, afirmou que as empresas precisam avaliar as fragilidades institucionais e as deficiências de infraestrutura antes de acelerar as operações.
As companhias que já atuam no país mantêm planos de expansão. Ludwing Mercado, gerente de Operações da Repsol na Venezuela, prevê elevar em 50% a produção nos campos do oeste do país, onde são extraídos cerca de 40 mil barris por dia (bpd).
A Maurel & Prom, que obteve licença dos Estados Unidos junto com BP, Chevron, Eni, Repsol e Shell no início do ano, espera encerrar o ano com produção de 23 mil bpd. A empresa reconheceu ter adiado algumas atividades após revisar seus planos diante das condições encontradas.
A UCC Oil and Gas Holding, do Qatar, também analisa novas áreas e possíveis parcerias para operar projetos na Venezuela.



