As empresas estatais federais registraram superávit de R$ 1,76 bilhões em agosto deste ano, informou o Banco Central nesta quarta-feira (30). Foi o primeiro resultado positivo dessas empresas no ano e o maior para meses de agosto desde o início da série histórica da autoridade monetária, em dezembro de 2001.
O último saldo positivo havia sido registrado em dezembro do ano passado, quando o superávit foi de R$ 1,16 bilhão. Para meses de agosto, o maior resultado anterior era de 2023, com R$ 1,39 bilhão.
Superávit é o resultado obtido quando a receita supera o gasto gerado no período. O Banco Central é responsável por registrar e divulgar os dados, mas os resultados das estatais federais são de responsabilidade do governo federal, que administra essas empresas.
Resultado acumulado ainda é negativo
Apesar do desempenho de agosto, as estatais federais acumulam déficit nos oito primeiros meses deste ano. Na parcial de 2026, o resultado negativo chegou a R$ 6,51 bilhões, segundo o Banco Central. Esse é o maior rombo para o período e fica próximo do déficit registrado em um ano inteiro, de R$ 6,73 bilhões em 2024.
No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, enviado ao Congresso Nacional em abril deste ano, o governo federal afirma que as estatais federais, deficitárias desde 2023, continuarão no vermelho até 2030.
A Instituição Fiscal Independente, ligada ao Senado Federal, avaliou em julho que os indicadores financeiros mostram uma “deterioração perceptível” na saúde financeira de parte relevante dessas empresas. Para o órgão, o quadro aumenta o risco para o Tesouro Nacional e não tem uma causa única.
Correios concentram parte do déficit
A situação dos Correios tem contribuído para o resultado negativo das estatais federais. A empresa registrou rombo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e déficit de R$ 5,6 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano.
O governo federal afirma que a situação econômico-financeira dos Correios pode piorar, apesar do plano de reestruturação em vigor. Entre as medidas previstas estão redução de custos, mudanças nos planos de previdência complementar e de saúde, programas de demissão voluntária, venda de imóveis ociosos e reajuste tarifário. Ainda assim, a estimativa oficial é de que a empresa apresente elevado prejuízo em 2026.
Os Correios contrataram empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio de bancos em dezembro de 2025, com garantia do Tesouro Nacional. Em fevereiro, o Conselho Monetário Nacional autorizou a estatal a buscar mais R$ 8 bilhões em empréstimo com garantias da União.
Em maio deste ano, o governo também autorizou os Correios a vender seguros e títulos de capitalização e a atuar no mercado de telefonia, por meio de convênios com instituições financeiras.



