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PF detalha produção de documentos usados em operações do Master com o BRB

Apresentação interna descreve a participação de funcionários na geração, alteração e envio de documentos ligados a créditos cedidos ao BRB.

PF detalha produção de documentos usados em operações do Master com o BRB
Foto: Reprodução/TV Globo

Documentos apreendidos na Operação Compliance Zero descrevem como funcionários do Banco Master teriam participado da produção e da alteração de arquivos usados para sustentar operações de cessão de créditos ao Banco de Brasília (BRB). A Polícia Federal afirma que o material reforça a investigação sobre possíveis irregularidades em grande parte dos créditos comprados pelo banco público.

Entre os arquivos está uma apresentação interna intitulada “Investigações internas – Banco Master”. O documento foi elaborado pelo próprio banco e encontrado no acervo digital entregue pelo liquidante, responsável por administrar a instituição durante o processo de liquidação.

A apresentação registra uma sequência que começava com a extração de dados de clientes e incluía a geração, a assinatura e o envio de documentos. Segundo a PF, funcionários de diferentes níveis hierárquicos aparecem envolvidos, incluindo diretores, gerentes, equipes de tecnologia e áreas operacionais.

Documentos e comprovantes

Dados de clientes do CredCesta, programa de crédito consignado ligado ao Master, teriam sido utilizados para gerar em massa Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), procurações e termos de consentimento. Parte desses documentos teria sido usada para comprovar créditos vendidos ao BRB.

Um dos casos analisados envolve o gerente Allan da Silva Machado. Com uma planilha e a ferramenta de mala direta do Word, ele teria produzido 2.700 procurações. Os arquivos foram guardados em uma pasta chamada “Demanda BRB-Tirreno 2700 amostras”.

A PF considera provável que parte desse lote tenha sido incluída em uma amostra de 1.785 contratos enviada ao BRB para comprovar créditos supostamente originados pela Tirreno.

Mensagens também indicam uma tentativa de retirar informações de comprovantes de transferência relacionados aos créditos. Allan pediu à funcionária da tesouraria Romy Goerck Gentina Klenquen documentos sem dados que permitissem identificar contratos e transações. “Tem que dar um jeito”, escreveu o gerente. Para os investigadores, o diálogo indica possível manipulação dos comprovantes.

Em outra conversa, Allan orientou Moacir Lourenço da Silva Junior, da área de tecnologia, a retirar a data de termos de consentimento. A PF afirma que a medida dificultaria a identificação do momento em que os clientes formalizaram a autorização.

Um dos documentos analisados informava celebração em 21 de janeiro de 2025, mas tinha assinatura eletrônica registrada em 20 de junho daquele ano, cerca de cinco meses depois. Para a polícia, a retirada das datas ajudaria a ocultar inconsistências e reforçaria a suspeita de produção posterior dos arquivos.

Divergências apontadas pela auditoria

As inconsistências também foram discutidas no contato com a Deloitte, responsável pela auditoria externa das carteiras. Conforme o relatório da PF, o coordenador de controles Fabrizio Pereira Alencar perguntou ao diretor Alberto Felix de Oliveira Neto como responder às cobranças sobre divergências nos contratos.

Após a Deloitte questionar irregularidades na documentação, Alberto orientou que os problemas fossem atribuídos a um “erro operacional”. Os contratos mencionados pela investigação pertenciam à carteira da Tirreno e correspondiam ao período de dezembro de 2024 a março de 2025.

Operações analisadas

A perícia examinou R$ 47,78 bilhões em operações entre o BRB e o Banco Master. Desse montante, R$ 31,74 bilhões correspondiam a negócios nos quais o Master vendia carteiras de crédito ao BRB.

Para a PF, os episódios não configuram falhas isoladas. A análise identificou pagamentos anteriores à conclusão de avaliações técnicas, pareceres finalizados depois da liberação do dinheiro, divisão de compras em valores menores e ausência de avaliação ampla e independente dos riscos.

Também foram apontadas concentração das aquisições em uma única instituição e continuidade dos pagamentos mesmo após alertas financeiros e problemas nas carteiras. Na avaliação dos peritos, essas práticas contornavam ou atrasavam etapas destinadas a analisar riscos, autorizar operações e controlar a saída de recursos.

A repetição dos procedimentos levou a perícia a apontar elementos técnicos e documentais compatíveis com “gestão fraudulenta” na compra das carteiras do Master. A conclusão, segundo a PF, considera os mecanismos usados repetidamente para reduzir a eficácia dos controles internos do BRB, e não apenas o risco ou um possível prejuízo das operações.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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