O mercado de trabalho brasileiro perdeu força, mas ainda não apresenta sinais de que a economia esteja caminhando para uma recessão, segundo análise do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence. O estudo adaptou ao Brasil a regra de Sahm, métrica criada nos Estados Unidos para identificar sinais iniciais de retração econômica a partir da taxa de desemprego.
Nos Estados Unidos, a regra considera a possibilidade de recessão quando a média móvel de três meses do desemprego fica 0,5 ponto percentual ou mais acima do menor nível registrado nos 12 meses anteriores. Para o Brasil, Imaizumi utiliza um limiar de 0,3 ponto percentual, seguindo recomendação de publicação do Made, centro de pesquisa da USP.
A diferença calculada pela regra ficou negativa até fevereiro e se aproximou do limite nos meses seguintes. Nos dois últimos meses analisados, porém, permaneceu relativamente estável: passou de 0,13 p.p. em junho para 0,12 p.p. em julho. “O mercado de trabalho está em desaceleração, mas segue ainda resiliente, ainda forte”, afirmou Imaizumi.
A série histórica reúne dados dessazonalizados desde o final de 1995, calculados com base em pesquisas do IBGE. A adaptação considera características do mercado nacional, como a maior informalidade em comparação com os Estados Unidos. Em uma recessão, segundo o economista, pode ocorrer migração de vagas formais para informais, sem aumento abrupto da taxa de desocupação.
Desemprego e renda
A taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre até julho, o menor resultado para esse intervalo na Pnad Contínua, iniciada em 2012. Na média, o rendimento do trabalho foi de R$ 3.762 por mês, abaixo dos R$ 3.786 registrados no período encerrado em abril. A queda de 0,7% foi considerada pelo IBGE dentro da margem de estabilidade estatística.
O Codace, ligado à FGV, é responsável por identificar os períodos recessivos no Brasil a partir de uma avaliação ampla de indicadores. A recessão mais recente ocorreu do primeiro ao segundo trimestre de 2020, durante a pandemia de Covid-19. A regra de Sahm também ultrapassou o limite de 0,3 p.p. na recessão anterior, datada do segundo trimestre de 2014 ao quarto trimestre de 2016.
Para Rodolpho Sartori, da consultoria Buysidebrazil, o mercado de trabalho parece ter chegado ao teto após a recuperação dos últimos anos. O ritmo menor, contudo, não permite projetar atualmente uma recessão a partir de 2027. Sartori prevê crescimento de 1,9% para o PIB de 2026 e de 1,6% para o indicador no próximo ano.
O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, depois de avançar 1,1% nos três meses iniciais do ano. Os dados foram divulgados pelo IBGE em 1º de setembro. O resultado do terceiro trimestre será conhecido em 2 de dezembro, após as eleições, e analistas esperam uma taxa mais próxima de zero.



