São Paulo, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,11 · Euro R$ 5,86 · Ibovespa 186.596 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

Rappi prioriza mercado e entregas rápidas em vez de disputar cupons

Empresa prevê investir R$ 1,4 bilhão em cinco anos e concentra expansão no varejo alimentar e no Rappi Turbo.

Rappi prioriza mercado e entregas rápidas em vez de disputar cupons
Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

A Rappi quer ampliar sua atuação para além da entrega de comida e se posicionar como um superaplicativo de varejo. A empresa prevê investir R$ 1,4 bilhão ao longo de cinco anos, principalmente em tecnologia, inovação e entregas ultrarrápidas.

O plano é oferecer produtos variados, de bananas a videogames, em até dez minutos. Guillermo Formigoni, CEO da Rappi no Brasil, afirma que os restaurantes representam cerca de 10% do negócio. Os outros 90% estão ligados a entregas de supermercado, farmácia e produtos para pets, além do Rappi Turbo, nome dado pela empresa ao modelo de quick commerce.

Expansão para o varejo alimentar

A estratégia ocorre em um momento de aumento da disputa no delivery brasileiro. O iFood e a Rappi, antes vistos como os principais competidores, passaram a concorrer com 99Food e Keeta, empresas chinesas que elevaram a competição por escala e logística.

Formigoni diz que a Rappi pretende concentrar seus recursos na experiência de compra, e não em ofertas para atrair restaurantes. “Nossa proposta de valor é um serviço de varejo em que você possa comprar quase qualquer coisa no supermercado para ser entregue em 10 minutos”, afirmou.

Segundo o executivo, o mercado de entrega de comida por aplicativo movimenta US$ 210 bilhões na América Latina, cerca de R$ 1 trilhão. O varejo alimentar alcança US$ 500 bilhões, ou R$ 2,6 trilhões, e o Brasil responde por cerca de 60% desse montante.

Atualmente, 15% dos brasileiros fazem compras de supermercado pela internet. As vendas digitais representam de 4% a 5% do faturamento do varejo alimentar.

Lojas próprias e logística

A Rappi usa “dark stores”, unidades que funcionam como pequenos galpões logísticos. Esses espaços comercializam cerca de 5.000 produtos próprios diferentes, ante uma média de 20 mil itens em supermercados, e são organizados para que os funcionários separem cada pedido em cerca de dois minutos e meio.

A empresa mantém 21 lojas na cidade de São Paulo e outras 19 em Fortaleza, Recife, Belo Horizonte, Curitiba, Rio de Janeiro e Porto Alegre. As unidades também servem como pontos de apoio para os entregadores.

A companhia avalia futuramente operar também como marketplace, reunindo produtos de outros vendedores. A parceria com a Amazon já permite que as lojas ofereçam itens como o Kindle, leitor de livros digitais.

Entregadores e concorrência

Formigoni afirma que a regulamentação do trabalho dos entregadores ainda não é clara e defende uma evolução do modelo, conciliando a flexibilidade do setor com garantias previdenciárias e proteção contra acidentes. Ele nega que a Rappi controle a oferta de trabalho por meio de algoritmos e diz que a empresa não possui operadores logísticos.

O executivo também comenta as discussões no Cade, que envolvem cláusulas da 99Food. Os contratos oferecem investimento inicial a restaurantes parceiros em troca da garantia de que eles não assinarão acordos com plataformas concorrentes, como Keeta e Rappi. A Keeta chama os dispositivos de cláusulas de banimento; a 99Food os classifica como semiexclusividade.

A Rappi tem cerca de mil funcionários no Brasil e enfrenta alta rotatividade, especialmente entre os trabalhadores responsáveis pela separação de produtos nas dark stores. Formigoni também critica uma eventual mudança na escala 6x1, que, segundo ele, afetaria a operação e poderia pressionar os preços.

Perfil da empresa

Criada há mais de dez anos na Colômbia, a Rappi está no Brasil desde 2017. A empresa foi fundada em 2015, tem sede em Bogotá e presença em Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Peru e Uruguai.

A companhia informa ter 14 mil funcionários e atuar como um super app de comércio eletrônico da América Latina voltado a entregas rápidas. Embora mantenha o RappiBank em outros países da região, a empresa não planeja oferecer crédito no Brasil nos próximos 18 meses.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.