SALALAH — Uma reunião entre o Irã e os países árabes do Golfo sobre a gestão do estreito de Ormuz foi adiada por falta de consenso. O encontro de ministros das Relações Exteriores estava marcado para segunda-feira (14), em Omã, e tinha como objetivo discutir um acordo temporário entre Teerã e Mascate para administrar a navegação pela hidrovia.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, anunciou o adiamento em uma publicação no X. "Em nome do consenso, a reunião regional marcada para amanhã em Salalah foi adiada", escreveu. Ele afirmou que o país continua comprometido com o diálogo e a cooperação regional, mas não apresentou outros detalhes.
A reunião reuniria os chanceleres dos seis integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Omã e Bahrein. Também era esperada a participação do Iraque. O encontro seria o primeiro, em quase dois anos, entre os principais diplomatas do grupo e o chanceler iraniano.
O Bahrein, que ocupa a presidência rotativa do conselho e está entre os países do Golfo mais atingidos por ataques de retaliação iranianos, informou no sábado que não participaria. Mohammad Ali Bek, alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Irã, disse que a reunião foi adiada a pedido de países da região.
Impasse sobre o estreito
Omã e Irã negociaram durante semanas um plano para administrar temporariamente o tráfego em Ormuz. Pela proposta, as embarcações entrariam no estreito por águas iranianas e sairiam, em sua maioria, pelo território marítimo de Omã. O objetivo era obter apoio regional para o acordo e criar uma condição para reduzir as hostilidades entre Irã e Estados Unidos na hidrovia.
O Irã restringe a navegação pelo estreito desde que Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra a República Islâmica, em fevereiro. Autoridades iranianas afirmam que a segurança do tráfego não estará garantida enquanto os Estados Unidos mantiverem o bloqueio naval aos portos do país.
Diplomatas também avaliam que a reabertura completa de Ormuz dependeria de um entendimento entre Washington e Teerã. Antes da guerra, a hidrovia era passagem para um quinto do petróleo e do gás do mundo.
A Arábia Saudita enfrenta uma crise adicional depois que um ataque de drone lançado na quinta-feira a partir do Iraque levou ao fechamento de um oleoduto entre o leste do país, rico em petróleo, e a costa oeste. O duto se tornou importante para as exportações sauditas depois da interrupção do tráfego pelo estreito.
No Iêmen, rebeldes houthis apoiados pelo Irã lançaram, na semana passada, ondas de mísseis e drones contra a infraestrutura energética saudita no sul do país. Os rebeldes também avançaram ao sul pela costa do Mar Vermelho, ampliando o controle sobre o estreito de Bab al-Mandeb.
Reação dos mercados
O adiamento elevou os preços do petróleo. O Brent subiu 3,5%, para mais de US$ 108 por barril, na abertura dos mercados asiáticos na segunda-feira, antes de devolver parte dos ganhos. Na semana passada, as preocupações com o abastecimento da região já haviam levado os preços acima de US$ 100, ao maior nível desde maio.
A proposta para Ormuz foi formulada como um acordo provisório, válido até que o Irã e os países vizinhos definissem o futuro da hidrovia. A iniciativa também poderia abrir caminho para a retomada de um memorando de entendimento assinado por Irã e Estados Unidos em junho.
O memorando previa a extensão de um cessar-fogo por 60 dias, a reabertura gradual do estreito e negociações sobre um acordo definitivo para encerrar a guerra, incluindo o programa nuclear iraniano. Teerã e Washington, porém, acusaram-se de violar o compromisso, em parte por divergências sobre a passagem dos navios.
Os Estados Unidos informaram aos mediadores que não retornarão ao memorando e que aceitarão apenas um acordo mais amplo, incluindo a questão nuclear. O Irã condiciona a reabertura total do estreito à suspensão do bloqueio aos portos, ao restabelecimento de uma isenção para vender petróleo e ao acesso a parte de seus ativos congelados no exterior.


