RIO DE JANEIRO — Candidato à reeleição para deputado estadual pelo PSD, Claudio Caiado colocou a reorganização do sistema prisional como prioridade para enfrentar a crise de segurança pública no Estado do Rio de Janeiro. Entre as medidas defendidas estão o bloqueio da comunicação entre presos e integrantes de facções fora das unidades, o uso de tecnologia e a oferta de trabalho aos detentos.
“Não existe segurança pública sem o sistema prisional arrumado, sem o sistema prisional funcionando”, declarou Caiado. O parlamentar conclui seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e afirmou ter sido eleito com aproximadamente 48 mil votos.
Segurança e sistema prisional
Caiado citou o sistema penitenciário de Goiás como referência, com scanners para impedir a entrada de celulares, tecnologias de controle, condições de revista durante as visitas e atividades profissionais para os detentos. Na avaliação dele, facções ainda conseguem transmitir ordens de dentro das cadeias fluminenses para criminosos em liberdade.
O Governo do Estado anunciou a criação de 5.128 vagas no sistema prisional até o fim de 2028, como parte das medidas de adequação ao Plano Pena Justa. Em uma operação realizada em unidades do Rio, 700 policiais apreenderam 165 celulares. O programa também prevê scanners corporais, drones e sistemas de varredura.
Isenção de IPVA e habitação
O deputado apresentou o Projeto de Lei 8.321/2026, que prevê isenção de IPVA para motoristas autônomos que tenham transporte ou entrega por aplicativo como única fonte de renda e faturamento anual de até R$ 200 mil. A proposta estabelece, entre outros critérios, pelo menos um ano de atividade na plataforma e uma quantidade regular de viagens.
Caiado também destacou sua participação no programa IPVA em Dia, criado com o deputado Luiz Paulo. A medida permite parcelar débitos atrasados em até 12 vezes, sem juros, com a liberação do licenciamento após o pagamento da primeira parcela.
Na área habitacional, o candidato defendeu a retomada da construção de moradias para famílias de menor renda. Segundo ele, o déficit habitacional no Estado do Rio está próximo de 500 mil unidades. Caiado citou o Morar Carioca, voltado à urbanização de comunidades com obras de saneamento, pavimentação, iluminação, drenagem e recuperação de espaços públicos.
Ele também mencionou o Casa Carioca, programa destinado a pequenas reformas em imóveis sem condições adequadas de habitabilidade. Em março, 64 famílias receberam imóveis do Morar Carioca do Aço, em Santa Cruz.
Educação, saúde e transporte
Para a educação, Caiado defendeu a recuperação da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), a expansão do ensino médio em tempo integral e a contratação de mais mediadores para estudantes autistas, com TDAH e outras neurodivergências. Também propôs cursos especializados e apoio a familiares responsáveis pelos cuidados diários.
Na saúde, o candidato propôs um prontuário eletrônico único, acessível por unidades municipais, estaduais e particulares autorizadas. A intenção é integrar informações sobre alergias, tratamentos anteriores e exames, reduzindo a repetição de perguntas e procedimentos.
Caiado defendeu ainda a ampliação das clínicas da família e a criação de centros especializados em Benfica, Campo Grande e Piedade, com base em experiências da Prefeitura do Rio.
Na mobilidade, o parlamentar apoiou a construção da Linha 3, ligando a capital a Niterói e São Gonçalo, e a extensão do metrô da Barra da Tijuca até o Recreio dos Bandeirantes. Estudo apresentado na Câmara do Rio apontou redução de até 85% no tempo de determinados deslocamentos. A proposta da Coppe/UFRJ prevê aproximadamente 50 quilômetros e 29 estações entre Rio, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
Ele também defendeu o uso de lagoas e canais para criar um sistema de transporte aquaviário integrado ao metrô, conectando Jacarepaguá, Barra da Tijuca, Recreio e Vargens.
Cabos furtados e estratégia eleitoral
Caiado afirmou que o combate ao furto de fios deve atingir ferros-velhos e outros estabelecimentos que compram e revendem materiais roubados. É autor de um projeto que ampliou punições administrativas para locais flagrados com cobre, cabos e equipamentos provenientes de furto, incluindo interdição e fechamento definitivo em caso de reincidência, após o devido processo legal.
O candidato estimou em cerca de R$ 400 milhões por ano o movimento da cadeia ilegal relacionada ao furto de cabos. Em setembro, uma operação fechou ferros-velhos ilegais no Sampaio e apreendeu materiais.
Para as eleições, Caiado declarou apoio a Eduardo Paes ao Governo do Estado. Também projetou que o PSD eleja uma bancada estadual de 11 ou 12 parlamentares e consiga de seis a sete cadeiras na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro.
Sobre a presidência da Alerj, disse que o PSD tem nomes capazes de disputar o comando da Casa, mas defendeu que a negociação ocorra depois da votação. O deputado reconheceu que o PL deve formar uma bancada numerosa e afirmou que os poderes precisam manter independência e relação institucional para aprovar projetos.



