A ministra Cármen Lúcia afirmou que a confiança dos cidadãos nas instituições é essencial para a democracia e lamentou o que chamou de descrença e desânimo com a administração pública. A declaração ocorreu depois de uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada por divergências sobre a crise que atinge a Corte.
"A democracia vive da confiança que o cidadão tem, que a cidadã tem nas suas instituições", disse Cármen Lúcia. Segundo a ministra, erros podem ser tolerados, mas servidores e agentes públicos têm a obrigação de buscar o acerto e oferecer o melhor serviço.
Na terça-feira (15), durante o julgamento, Cármen Lúcia também pediu desculpas ao povo brasileiro por não ter conseguido contribuir para acalmar a crise no STF. Ela afirmou que os ministros buscavam resolver as questões, mas que os problemas cresceram.
A sessão terminou com 4 votos a 3 pela manutenção de análises separadas sobre as condutas de Alexandre de Moraes na relação com Daniel Vorcaro e de André Mendonça na condução do relatório do caso Master. O presidente do STF, Edson Fachin, foi acompanhado por Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Moraes votaram pela análise conjunta.
Crise no STF
O ministro Flávio Dino, que havia acompanhado a corrente favorável à análise conjunta, pediu vista e suspendeu o julgamento. A crise começou no início de setembro de 2026, após o levantamento do sigilo de relatórios da Polícia Federal sobre as apurações de fraudes financeiras no Banco Master.
Um dos documentos identificou 52 mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, trocadas entre dezembro de 2023 e novembro de 2025. O material também apontou encontros presenciais e um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes.
Após determinação de Zanin, a Polícia Federal confirmou, na segunda-feira (14), que entregou cópias do acervo digital aos gabinetes de Zanin, Moraes e Gilmar Mendes. As acusações de Moraes contra Mendonça ficaram para 23 de setembro.



