São Paulo, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,22 · Euro R$ 5,92 · Ibovespa 183.828 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Política

Comunes perde força eleitoral, mas Acordo de Paz ampliou espaço para a esquerda colombiana

Ex-guerrilheiros não elegeram candidatos em 2026, mas avaliam que o pacto contribuiu para a chegada de Gustavo Petro à Presidência.

Comunes perde força eleitoral, mas Acordo de Paz ampliou espaço para a esquerda colombiana
Foto: 1º.set.17/AFP

O partido Comunes, criado após o desarmamento das Farc, não elegeu nenhum candidato nas eleições legislativas de março de 2026 e registrou seu pior resultado desde a fundação. Para Luis Alberto Albán Urbano, ex-guerrilheiro que usava o pseudônimo Marcos Calarcá, o desempenho não significa que o Acordo de Paz de 2016 fracassou.

Albán entrou nas Farc aos 20 anos, participou de negociações com o governo colombiano e chegou ao Congresso em 2018. Ele representou o partido na Câmara de 2018 a 2026. A legenda teve assentos garantidos pelo acordo até 2022, mas perdeu essa proteção nas eleições de 2026.

“O acordo abriu as portas para um governo de esquerda”, afirma Albán, em referência à gestão de Gustavo Petro, apresentada como a primeira de esquerda da história recente da Colômbia. A avaliação também é compartilhada por Ángela Liliana Olaya Castro, diretora da Fundação Conflict Responses.

Desempenho nas urnas

A trajetória eleitoral do partido começou em 2018, quando ainda usava a sigla das Farc e o nome Força Alternativa Revolucionária do Comum. Rodrigo Londoño retirou sua candidatura à Presidência dois meses antes da votação, citando problemas de saúde e ataques sofridos durante a campanha. Naquele momento, ele tinha cerca de 1% das intenções de voto.

Nas eleições legislativas daquele ano, os candidatos da legenda receberam pouco mais de 85 mil votos e entraram no Congresso por causa da reserva de dez cadeiras prevista no pacto. Em 2022, o partido voltou a ocupar vagas pelo mesmo mecanismo. Em 2026, sem a obrigação de manter uma representação fixa da ex-guerrilha, não conseguiu eleger nenhum nome.

O resultado também piorou nas eleições locais. Em 2019, o grupo obteve 96.447 votos em 23 departamentos e Bogotá. Em 2023, foram 13.772 votos, queda de 85,7% em relação à eleição anterior, em 15 das 33 divisões administrativas do país.

A mudança de nome para Comunes, em 2021, não alterou o desempenho. Albán disse que a decisão ocorreu em meio ao aumento da estigmatização contra o grupo.

Mudança política após o acordo

O Acordo de Paz surgiu depois de mais de cinco décadas de conflito armado entre as Farc e governos da Colômbia. A primeira versão do documento foi rejeitada pelos colombianos em um plebiscito e depois reformulada. A versão revisada completou dez anos neste sábado (26).

Para Ángela Olaya Castro, o pacto criou um ambiente de expectativa por mudança e ampliou as discussões políticas em diferentes níveis. Ela afirma que a participação política dos signatários não deve ser medida apenas pelo número de votos obtidos em eleições.

Nas eleições de 2023, as Juntas Administradoras Locais concentraram 26,3% da votação total dos Comunes, conforme dados da Fundação Ideias para a Paz. A cientista política também afirma que muitos integrantes deixaram o partido e passaram a atuar em cooperativas e outras formas de organização territorial.

O partido reconhece dificuldades internas e falta de experiência institucional. Durante os mandatos no Congresso, sua prioridade foi aprovar leis para implementar o Acordo de Paz. Albán afirma que houve resistência durante o governo de Iván Duque, que comandou a Colômbia de 2018 a 2022, e que a chegada de Petro não trouxe o apoio esperado para cumprir as cláusulas do pacto.

A experiência colombiana contrasta com a de outros grupos armados latino-americanos. O Movimento 26 de Julho, em Cuba, e a Frente Sandinista de Libertação Nacional, na Nicarágua, tomaram o poder em 1959 e 1979. No Uruguai, ex-integrantes dos Tupamaros participaram da criação do Movimento de Participação Popular, ligado ao ex-presidente José Mujica, em 1989. Em El Salvador, a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional chegou à Presidência em 2009, depois do fim da guerra civil em 1992.

Na Colômbia, uma tentativa anterior de transformar a guerrilha em força política ocorreu em 1985, com a criação da União Patriótica. A sigla chegou a ser a terceira força política do país nas eleições de 1986, mas quase todos os eleitos foram assassinados nos anos seguintes, segundo relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Para Albán, os Comunes avançaram na integração social e obtiveram reconhecimento após dois mandatos com dez integrantes no Congresso, sendo cinco no Senado e cinco na Câmara dos Representantes. O desafio, segundo ele, é que esse reconhecimento ainda não se converteu em votos.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.