A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) não influencia o voto para presidente de 67% dos eleitores, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14). Outros 22% afirmam que o caso reforça a escolha já feita, enquanto 7% consideram mudar de candidato. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
A pesquisa foi realizada com 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de setembro, em meio à crise envolvendo ministros do STF e as investigações sobre o Banco Master. O estudo foi encomendado pelo jornal O Globo e pela Globo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03607/2026.
Entre os entrevistados, 4% não souberam responder ou não responderam à pergunta sobre a influência da crise no voto presidencial.
Diferenças por posicionamento político
O impacto declarado varia de acordo com a identificação política. Entre os lulistas, 84% dizem que a crise não influencia o voto, 10% afirmam que ela reforça a escolha atual e 3% admitem considerar uma mudança. A margem de erro desse grupo é de 5 pontos percentuais.
Na esquerda não lulista, 76% dizem não haver impacto no voto. Outros 10% afirmam que a crise reforça a escolha atual, enquanto 12% consideram mudar de candidato. A margem de erro é de 6 pontos percentuais, e 2% não souberam responder ou não responderam.
Entre os eleitores independentes, 66% afirmam que o episódio não muda o voto, 19% dizem que reforça a escolha atual e 9% admitem uma mudança. Esse grupo representa um terço do total de entrevistados. A margem de erro é de 4 pontos percentuais, e 6% não souberam responder ou não responderam.
Na direita não bolsonarista, 51% dizem que a crise não tem influência sobre o voto, enquanto 40% afirmam que ela reforça a decisão tomada. Outros 6% consideram mudar de voto, e 3% não souberam responder ou não responderam. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.
Entre os bolsonaristas, 52% dizem que o caso não influencia o voto, 35% afirmam que reforça a escolha atual e 9% consideram mudar. A parcela que não soube responder ou não respondeu foi de 4%. A margem de erro é de 4 pontos percentuais.
Origem da crise no STF
A crise se intensificou no início de setembro, quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal produzido nas investigações sobre o Banco Master. O documento cita mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, a um contato que a polícia atribuiu ao ministro Alexandre de Moraes.
Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por supostas irregularidades na condução do caso, incluindo abuso de poder e favorecimento a grupos políticos. As apurações também levaram a questionamentos sobre relações de Vorcaro com outros integrantes da Corte e negócios envolvendo familiares de ministros.
O presidente do STF, Fachin, passou a centralizar as decisões relacionadas à crise. Ele suspendeu medidas conflitantes, manteve Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal, retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e determinou que procedimentos envolvendo investigações contra ministros sejam previamente submetidos à Presidência do tribunal.
Fachin marcou para terça-feira (15) uma sessão do plenário para analisar o relatório da PF e o pedido da Procuradoria-Geral da República para anulá-lo.



