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Política

Eleitorado brasileiro no exterior chega a 918,9 mil e mobiliza partidos

Número de eleitores fora do país cresceu 31,8% desde 2022, enquanto partidos e grupos organizam ações para ampliar a participação.

Eleitorado brasileiro no exterior chega a 918,9 mil e mobiliza partidos
Foto: Folhapress

O eleitorado brasileiro apto a votar fora do país chegou a 918,9 mil na reta final da disputa presidencial. O número representa uma alta de 31,8% desde 2022 e supera o total de eleitores de Roraima, Amapá e Acre. Lulistas e bolsonaristas intensificaram a mobilização para o próximo domingo (4).

Os brasileiros no exterior são registrados pela Justiça Eleitoral como a unidade federativa ZZ. Em 16 anos, esse eleitorado cresceu quase 360%, enquanto o total de eleitores do país aumentou 1,4% desde 2022. A expansão acompanha o crescimento da comunidade brasileira fora do país: o Itamaraty registrou 5,3 milhões de brasileiros no exterior no ano passado, contra 4,6 milhões quatro anos antes.

A transferência do título para outro país passou a poder ser feita remotamente desde a pandemia do Covid-19. Pelo aplicativo e-Título, o eleitor também consegue regularizar a situação e quitar débitos com a Justiça Eleitoral.

Voto exige deslocamento

Apesar da maior facilidade para fazer o cadastro, o voto continua sendo presencial. Em muitos casos, o eleitor precisa viajar até uma embaixada ou posto consular. Na Itália, há votação apenas em Roma e Milão; na França, em Paris e Marselha. A obrigação de votar também vale para quem mora fora do Brasil.

Nestas eleições, haverá votação em 186 cidades de 134 países. Os três países com mais eleitores são os Estados Unidos, com 265,4 mil, Portugal, com 134,8 mil, e Japão, com 88,4 mil.

A abstenção no exterior costuma ser maior que a registrada no Brasil, mas caiu no segundo turno de 2022. Naquele ano, foi de 55,4%, ante 59,7% em 2018. Com o crescimento do eleitorado inscrito, houve cerca de 100 mil votos válidos a mais em quatro anos.

Para Teresa Schneider Marques, professora de ciência política da PUC-RS e pesquisadora da Uerj, o deslocamento até os locais de votação envolve custos para o eleitor. “As coisas não param para você votar, como no Brasil”, afirmou. Em uma pesquisa sobre a participação de brasileiros na França em 2022, ela identificou o chamado “sentimento de urgência” como um fator para o aumento do interesse pelas urnas.

Segundo Schneider Marques, muitos eleitores votaram naquele ano por entender que a eleição poderia alterar o rumo do país. Ela também afirma que o contexto internacional influencia a decisão, porque o brasileiro no exterior considera as relações entre o país onde vive e o Brasil.

Estratégias de PT e PL

O PT mantém uma secretaria de Relações Internacionais, chefiada pelo senador Humberto Costa, ligada a 26 núcleos fora do país. Em Bolonha, na Itália, Gabriela Lima coordena um núcleo com cerca de 50 inscritos. Ela também atua como delegada de fiscalização em Milão e diz receber material digital de campanha, sem recursos de apoio.

No PL, Eduardo Bolsonaro, atualmente nos Estados Unidos, foi nomeado secretário de Relações Internacionais em 2024. A família Bolsonaro também conta com o apoio de comunidades estrangeiras que atuam principalmente nas redes sociais.

Uma delas é a Liga Conservadora Brasil-Alemanha, que tem 105 mil seguidores no Instagram e apoia o senador Flávio Bolsonaro. Criada por Samia Sittel-Faraj, moradora de Bonn, a iniciativa produz e divulga conteúdo e mobiliza brasileiros no exterior. A atuação é voluntária e, segundo a criadora, não tem vínculo partidário nem recebe recursos, embora mantenha contato com representantes do PL.

Para Schneider Marques, os partidos brasileiros ainda atuam menos no exterior do que organizações políticas de outros países. Ela relaciona essa diferença à ausência de representantes no Congresso eleitos pelos brasileiros que vivem fora do país. Na Itália, expatriados elegem 12 parlamentares, o que favorece campanhas mais organizadas no exterior.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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