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Campanha de Flávio diz que promessa de entregar Brasil a Jesus é simbólica

Nota afirma que declaração representa um pedido de proteção e uma defesa da paz, da esperança e da fé, sem preferência religiosa.

Campanha de Flávio diz que promessa de entregar Brasil a Jesus é simbólica
Foto: Folhapress

A campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que a promessa de decretar que o Brasil pertence a Jesus Cristo tem caráter simbólico. Em nota, disse que o candidato pretende fazer uma oração antes de ler o termo de posse e entregar o país a Jesus Cristo como forma de agradecimento e pedido de proteção e bênção aos brasileiros.

A equipe também declarou que Flávio defende o respeito a todas as religiões e formas de expressão da fé. Segundo a nota, a referência a Jesus Cristo busca destacar a importância da paz, da proteção e da esperança na vida dos brasileiros.

A declaração foi feita em agosto, em um vídeo no qual Flávio justificava a ausência em um debate da Band. Na ocasião, afirmou que não participaria porque Lula também não iria e disse que gostaria de debater com quem não acredita em Deus. A fala acabou relacionada a uma notícia falsa sobre a intenção de Flávio de retirar Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil. Não há evidências sólidas de que ele tenha se movimentado para isso.

Interpretações sobre a declaração

A frase foi interpretada por críticos como um apito de cachorro: uma mensagem aparentemente inofensiva para o público geral, mas com significado específico para determinado grupo. Nesse caso, a leitura seria a de que uma Presidência de Flávio favoreceria evangélicos em relação a outras religiões.

Não é possível concluir, apenas com essas informações, que o candidato pretenda recuperar um projeto de lei apresentado pelo pastor Victório Galli há 19 anos. A proposta foi arquivada no ano seguinte e não teve apoio consistente de outros deputados. Galli foi assessor de Jair Bolsonaro em 2019.

Também alimenta a desconfiança o fato de Flávio ter sido batizado em 2024 na Comunidade das Nações, igreja em Brasília liderada pelo bispo JB Carvalho. Em livro, Carvalho criticou a devoção a Nossa Senhora e defendeu que Aparecida não fosse a padroeira do Brasil.

Para o doutor em ciências da religião e pastor batista Kenner Terra, não é possível determinar o significado exato da fala nem afirmar que ela represente uma ameaça ao status de Aparecida. “É difícil saber o que exatamente essa frase significa nos lábios de Flávio, além de um aceno ao eleitorado evangélico”, afirmou.

Terra disse que a declaração pode tensionar a ideia de Estado laico ao apresentar a visão de um grupo religioso como referência para a identidade nacional. Para ele, a frase parece uma tentativa de aproximar Flávio dos evangélicos e pode indicar diferentes expectativas, como uma conversão religiosa em massa, a adoção de princípios religiosos na esfera pública ou a eleição de evangélicos para cargos de poder.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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