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Política

Boato sobre Nossa Senhora Aparecida amplia tensão religiosa entre Lula e Flávio

Não há indícios de que Flávio Bolsonaro pretenda alterar o título de padroeira do Brasil atribuído a Nossa Senhora Aparecida.

Boato sobre Nossa Senhora Aparecida amplia tensão religiosa entre Lula e Flávio
Foto: Mauro Pimentel/AFP

Não há indícios sólidos de que Flávio Bolsonaro (PL) pretenda retirar Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil caso vença a disputa presidencial contra Lula (PT). Mesmo assim, o rumor ganhou força na campanha e passou a alimentar uma disputa política marcada por referências religiosas.

Flávio tentou conter a circulação da informação na quinta (24) e voltou ao assunto na sexta (25). Ele chamou o rumor de uma grande mentira e afirmou defender o direito de pessoas de qualquer fé exercerem sua crença livremente. Também disse que uma decisão desse tipo não caberia ao presidente e acusou Lula e a esquerda de desrespeitarem a fé e o cristianismo.

A origem da interpretação está, em parte, em uma declaração feita por Flávio em agosto. Ao justificar sua ausência em um debate da Band, ele disse que queria confrontar quem não acredita em Deus. Depois, afirmou que, se fosse eleito, um de seus primeiros atos seria decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo. A frase foi interpretada como uma mensagem dirigida ao eleitorado evangélico e acabou associada ao boato sobre Nossa Senhora Aparecida.

Projetos e episódios anteriores

Um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado Victorio Galli ajudou a estimular a associação. A proposta foi arquivada em 2008. Onze anos depois, Galli tornou-se assessor especial da Presidência no governo Jair Bolsonaro.

O episódio também trouxe de volta o caso de 12 de outubro de 1995, quando Sergio Von Helder, então bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, chutou uma estátua de Nossa Senhora Aparecida. O gesto provocou desgaste para a Universal e para evangélicos.

Em 2018, circularam outras informações falsas envolvendo Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro. Uma delas dizia que os dois haviam assinado o projeto que alteraria o título de padroeira do Brasil. O texto, porém, tinha Galli como único proponente, e Eduardo ainda não era deputado. Também circulou a afirmação de que Jair mudaria a cor da imagem de Aparecida.

Reações na campanha

O deputado e pastor Marco Feliciano (PL-SP) classificou o rumor como a maior fake news religiosa da história. Silas Malafaia chamou a informação de conversa fiada. O antropólogo Rodrigo Toniol, da UFRJ, afirmou que os ataques contra Flávio são tão falsos quanto dizer que Lula fecharia igrejas. Para ele, a pauta religiosa foi mobilizada pelo medo como instrumento de disputa política.

Geraldo Alckmin (PSB) disse, em vídeo, ter recebido mensagens de católicos preocupados com os rumos do país e com as notícias em circulação. Afirmou que, enquanto ele e o presidente Lula governarem, as tradições religiosas estarão protegidas e preservadas. A primeira-dama Janja publicou uma foto de Lula segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, com a legenda OIhai por nós.

André Janones (Rede-MG) também relacionou o PT ao arquivamento do projeto de 2007 e afirmou, sem apresentar evidências, que Flávio quer reabrir a proposta para agradar Sergio Von Helder.

A tensão entre católicos e evangélicos também aparece dentro do bolsonarismo. Setores mais extremistas criticam a CNBB por manifestações de bispos em defesa da democracia, do voto consciente e da soberania nacional. A socióloga Tabata Tesser, do Instituto de Estudos da Religião, vê uma intensificação da defesa das instituições democráticas por setores da Igreja Católica, sem que isso represente necessariamente adesão a Lula.

No Datafolha mais recente, católicos davam a Lula 45% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% para Flávio. Entre os evangélicos, Flávio tinha 47%, e o presidente, 27%. O instituto ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios nos dias 22 e 23 de setembro.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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