A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, ampliou sua participação pública na campanha de reeleição do presidente Lula. Antes mais concentrada nos bastidores, ela passou a discursar nos comícios, ganhou espaço na propaganda eleitoral e começou a influenciar a agenda de eventos do petista.
Janja tem participado dos atos e, em algumas ocasiões, repreendido o presidente durante os discursos. Em Maceió, na quinta-feira (24), interrompeu a fala de Lula ao perceber que ele conversava com o governador de Alagoas, Paulo Dantas. A primeira-dama disse “Amor, amor” e explicou que se referia a uma peça de artesanato da Ilha do Ferro mantida no Palácio do Alvorada.
No sábado (19), em Florianópolis, ela ironizou a impaciência de Lula enquanto aguardava o microfone: “Gente, só para terminar aqui, que o presidente já está me olhando de cara feia. Hum... Cara feia para mim é fome”.
Aliados atribuem o aumento da influência de Janja à saída de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula, sob suspeita de tráfico de influência no escândalo do INSS. Conhecido como Marcola, ele deixou o cargo, e a primeira-dama passou a opinar mais diretamente sobre a agenda presidencial. A ela também foi atribuída a organização de um ato com artistas no Rio de Janeiro, na quarta (24).
Relatos apontam ainda que Janja ajudou a colocar Márcio Tavares, secretário-executivo do Ministério da Cultura e seu amigo, na equipe responsável pela agenda do presidente. Na organização dos eventos, ela faz a triagem de participantes do palanque e atua na montagem dos atos.
A participação de Janja na campanha começou antes da corrida eleitoral. Ela influenciou a composição do grupo que elaborou o plano de governo para a Cultura e convocou parlamentares de partidos aliados para reuniões na sede do PT, em Brasília. Os encontros eram restritos a mulheres e tinham varredura da Polícia Federal.
Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo de advogados Prerrogativas e amigo do casal presidencial, afirmou que a primeira-dama é um ativo importante para a campanha. Segundo ele, Janja sugeriu palcos em formato de “T” para aproximar Lula dos apoiadores e vetou áreas VIP nos eventos. Também teria participado da escolha de temas como o efeito das bets nas famílias e o combate ao feminicídio.
A influência se estende a eventos públicos e à rotina do Palácio do Planalto. No Rio de Janeiro, Lula participou de um ato na carroceria de uma caminhonete ao lado de Eduardo Paes, Benedita da Silva e Pedro Paulo. Janja estava no veículo e mudou a posição do presidente, que foi deslocado para ficar ao lado de Benedita.
Funcionários do Planalto relatam interferências em detalhes de eventos internos e no acesso de integrantes da Secretaria de Comunicação da Presidência ao terceiro andar do palácio, onde fica o gabinete presidencial.
A primeira-dama já havia enfrentado repercussões negativas por interferências públicas. Em um jantar oficial com Xi Jinping, líder da China, pediu a palavra para tratar de problemas do TikTok no Brasil. Depois, sua articulação para participar do desfile de Carnaval da Sapucaí que homenageava Lula gerou divergências internas. Janja não desfilou e assistiu ao evento ao lado do presidente.
A assessoria de Janja afirmou que ela participa da campanha desde o início e que sua atuação é validada por Lula. “Ela não está na coordenação, mas é uma mulher com boas ideias e sempre disposta a somar na construção da reeleição do presidente Lula”, disse a assessoria.



