O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania dos países e a não interferência em assuntos internos durante a abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU. O discurso ocorreu em meio à tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos e à reta final da eleição presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro.
Ao abordar o papel do Conselho de Segurança da ONU, Lula contrapôs modelos de organização internacional. “Somos chamados a optar entre o multilateralismo e o unilateralismo. Soberania ou subordinação?”, afirmou.
O presidente também disse que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e precisa de parceiros com uma agenda positiva voltada ao desenvolvimento. Segundo Lula, diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre países vizinhos.
A preocupação com uma eventual interferência externa no processo eleitoral, especialmente por parte dos Estados Unidos, tem sido manifestada por Lula e integrantes do governo. A posição defendida é que a escolha do próximo presidente cabe exclusivamente aos brasileiros.
Lula disputa a Presidência da República com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), recebido em maio pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, durante uma viagem ao país.
Outros temas do discurso
A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo das Nações Unidas e reúne representantes dos 193 Estados-membros. O Brasil abre tradicionalmente os discursos do debate geral, prática mantida desde 1955. Neste ano, Lula foi seguido por Trump.
Entre os temas mencionados pelo presidente estiveram o combate ao crime organizado, a inteligência artificial, as negociações de paz, as tarifas e o comércio internacional e a defesa do multilateralismo.
Na área ambiental, Lula afirmou que o Brasil pode conciliar desenvolvimento econômico, redução de emissões e preservação. Ele destacou a queda do desmatamento, classificou o país como referência em energia limpa e defendeu que “a floresta vale mais em pé”.
Ao mesmo tempo, disse que o governo continuará buscando explorar recursos naturais, incluindo os da Margem Equatorial e as terras raras necessárias à transição energética, sem abandonar a agenda ambiental e o processo de descarbonização. Para Lula, as riquezas naturais brasileiras pertencem à população e devem ser exploradas em seu benefício.



