O dólar abriu em alta nesta terça-feira (22), cotado a R$ 5,133 às 9h47, com avanço de 0,51%. Investidores repercutiam a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que apontou perda de força da atividade econômica sob o efeito dos juros altos e queda da inflação.
O documento manteve tom cauteloso. Na quarta-feira (16), o Copom decidiu por unanimidade reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Foi a quinta redução consecutiva da taxa básica de juros.
Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, disse que a ata veio em linha com o comunicado da semana anterior. Na avaliação dele, o comitê demonstrou confiança no processo de desinflação, apesar de um ambiente externo mais incerto e de expectativas de inflação ainda desancoradas, acima da meta perseguida pelo Banco Central.
“Apesar do nosso cenário-base ser de manutenção da taxa de juros no patamar atual de 13,75% até o final do ano”, afirmou Lin, a ata indica uma possibilidade maior de continuidade do corte da Selic nas próximas reuniões. Para o economista, a sequência do ciclo dependerá principalmente do resultado das eleições e do impacto sobre o câmbio.
Caio Megale, economista-chefe da XP, afirmou que o Copom reiterou que a atividade parte de um patamar ainda forte e que a inflação continua acima da meta. Segundo ele, os indicadores caminham na direção desejada pelo comitê, mantendo como cenário-base a continuidade dos ajustes na taxa de juros.
Eleições e ambiente externo
O mercado também acompanhava a nova pesquisa Quaest, divulgada depois do fechamento da sessão anterior, na segunda-feira (21). No primeiro turno, o presidente Lula tinha 37% das intenções de voto, contra 33% do senador Flávio Bolsonaro. Na pesquisa anterior, Lula aparecia com 36%, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 31%.
Em um eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro registrava 42% e Lula, 41%, em empate técnico. Na rodada anterior, o candidato do PL também tinha 42%, e o presidente marcava 40%.
A ata do Copom apontou ainda riscos externos ligados às tensões geopolíticas e aos efeitos sobre os preços de commodities e insumos. Para Megale, esse cenário alterou as expectativas sobre a condução da política monetária nas economias desenvolvidas.
O petróleo também estava no radar. Na segunda-feira, o barril voltou a ser negociado abaixo de US$ 100, movimento associado por Marcel Lima, sócio da Valor Investimentos, à expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã. A queda das cotações reduziu os temores de alta da inflação e dos juros no mundo, favorecendo ativos de mercados emergentes, como o Brasil.
Na mínima do dia, o Brent, referência mundial, com vencimento em novembro, recuou 4,7%, para US$ 99. O WTI, referência nos Estados Unidos, caiu 5,09%, para US$ 91,19.
O mercado também acompanhava os encontros e discursos na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. O presidente Lula discursaria no evento. Trump e Xi Jinping tinham reunião prevista em Washington: o líder chinês chegaria aos Estados Unidos na quarta-feira (23), e o encontro com o presidente americano estava previsto para quinta-feira (24), com temas como inteligência artificial e comércio.
No cenário doméstico, o IPCA-15 de setembro seria divulgado na sexta-feira (25). O indicador é considerado uma prévia do IPCA, principal índice de inflação do país.


