São Paulo, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,11 · Euro R$ 5,86 · Ibovespa 186.596 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Política

Lula reposiciona discurso na ONU com foco em clima, democracia e regulação digital

Em dez discursos, presidente manteve defesa contra fome e reforma do Conselho de Segurança, mas incorporou novas pautas globais.

Lula reposiciona discurso na ONU com foco em clima, democracia e regulação digital
Foto: Mike Segar/Reuters

Ao longo de duas décadas, os discursos de Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral das Nações Unidas mudaram de prioridade. Entre 2003–2008 e 2023–2026, o presidente manteve a defesa do combate à fome, da reforma da governança global e da solução pacífica de conflitos, mas passou a destacar a emergência climática, a regulação das plataformas digitais e a proteção da democracia contra o extremismo.

Temas que permaneceram

O combate à fome e à pobreza aparece desde 2003. Nos primeiros pronunciamentos, Lula destacava a criação do Fome Zero e defendia um Fundo Mundial ou Comitê de Combate à Fome. Em 2005, citou Josué de Castro, primeiro diretor-geral da FAO, ao abordar a relação entre fome e desigualdade. A referência voltou ao discurso de 2008.

A pauta reapareceu nos pronunciamentos recentes. Em 2024, Lula afirmou que o número de pessoas passando fome no mundo havia aumentado em mais de 152 milhões desde 2019 e lançou a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza no âmbito do G20. Em 2025, mencionou a confirmação oficial da FAO de que o Brasil havia saído novamente do Mapa da Fome. Em 2026, defendeu a política de colocar o pobre no orçamento e o fortalecimento das redes de proteção social.

A reforma do Conselho de Segurança também atravessa os dois períodos. Desde 2003, Lula defende a inclusão de países em desenvolvimento, especialmente da América Latina e da África, entre os membros permanentes. Nos primeiros discursos, a crítica se concentrava na falta de representatividade do órgão. Nos pronunciamentos mais recentes, passou a incluir a associação entre a exclusão dessas regiões e heranças do colonialismo.

Em 2025 e 2026, o presidente acrescentou críticas à capacidade de resposta da instituição diante das crises internacionais. Para Lula, o Conselho de Segurança se tornou incapaz de cumprir plenamente seu papel.

A rejeição ao unilateralismo, a defesa do Direito Internacional e a busca por soluções pacíficas também permaneceram. O Brasil continuou defendendo a autodeterminação e a criação de um Estado Palestino soberano. Entre 2024 e 2026, Lula condenou os atos terroristas do Hamas e classificou as ações israelenses em Gaza como punição coletiva, vingança e genocídio contra mulheres e crianças.

Clima e cenário internacional

Nos anos 2000, a agenda ambiental estava concentrada no Protocolo de Quioto, na redução inicial do desmatamento e na promoção do etanol e do biodiesel como fontes de energia limpa e instrumentos de desenvolvimento.

No terceiro mandato, a questão passou a ser apresentada como uma emergência climática planetária. O Brasil assumiu a meta de zerar o desmatamento até 2030, apresentou novas metas de redução de emissões, convocou a COP30 em Belém, em 2025, e lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre. O combate ao negacionismo climático também entrou na agenda.

A visão sobre a economia global igualmente mudou. Nos primeiros pronunciamentos, Lula articulava uma perspectiva otimista sobre uma nova geografia econômica do sul global, com referências ao IBAS, aos BRICs, à UNASUL e ao G-20 comercial. De 2023 a 2026, os discursos passaram a enfatizar conflitos simultâneos, o aumento dos gastos militares globais, que superaram 2,4 trilhões de dólares, e disputas hegemônicas.

Novas pautas

A governança digital passou a ocupar espaço nos discursos recentes. Lula criticou a concentração no setor de Inteligência Artificial, defendeu a regulação estatal das plataformas e alertou contra a atuação de grandes empresas de tecnologia sem controle público.

Em 2026, a agenda incluiu o combate à indústria das bets, a aprovação de legislação para proteger crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital e a rejeição a pressões multinacionais pela privatização do PIX. O presidente também citou uma advertência do Papa Leão 14 sobre a responsabilidade ética no avanço tecnológico.

A defesa explícita do Estado Democrático de Direito é outra novidade. Lula passou a mencionar forças extremistas, agressões ao Judiciário e tentativas de subversão democrática no Brasil. Em 2025, comentou a condenação de um ex-chefe de Estado por atentar contra o Estado Democrático de Direito, em referência indireta ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2026, denunciou o uso de redes de desinformação com ingerência externa no processo eleitoral e afirmou que a democracia brasileira é soberana e inegociável.

Também foram incorporadas propostas de cooperação internacional contra a lavagem de dinheiro, a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia e a promulgação da Lei Antifacção. Na pauta trabalhista, Lula passou a defender novas garantias, o fim da escala 6x1 e medidas contra a sobrecarga doméstica feminina.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.