NOVA YORK — O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, alertou representantes de países da região sobre a “relativização da soberania” durante reunião de ministros da Comunidade dos Estados Latino-Americanos (Celac). A declaração ocorreu em meio à avaliação, dentro do governo brasileiro, de que os Estados Unidos tentam interferir nas eleições brasileiras.
O Itamaraty divulgou a informação em suas redes sociais e afirmou que o chanceler também tratou da erosão do multilateralismo. Em nota, o ministério disse que Mauro Vieira “alertou para a relativização da soberania e a erosão do multilateralismo”, sem apresentar mais detalhes.
Interlocutores de Lula afirmaram que o presidente também deverá defender a soberania durante a assembleia da ONU. A intenção, segundo esses auxiliares, é enviar mensagens a líderes da comunidade internacional sem mencionar nomes específicos, como o do presidente Donald Trump, para evitar embates ou constrangimentos.
Lula tem declarado que gostaria de se encontrar com Trump para pedir que o presidente americano não tente interferir nas eleições deste ano. Recentemente, os dois conversaram por cerca de uma hora e meia por telefone. Relatos de auxiliares que acompanharam a ligação indicam que Trump mencionou as eleições brasileiras, enquanto Lula disse que o processo segue normalmente e que o sistema de votação é confiável.
Candidatura à ONU
O Itamaraty informou ainda que Mauro Vieira reiterou o apoio brasileiro à candidatura de uma mulher da região para comandar a ONU, em substituição a Antonio Guterres, cujo mandato se encerra neste ano.
O Brasil apoiava Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, mas ela desistiu da disputa. O governo ainda não anunciou qual candidatura apoiará e tem afirmado que a região conta com mulheres “à altura” da função.
Vieira também defendeu que os países da Celac se unam em torno de uma candidatura regional, respeitando o princípio de rotatividade entre as regiões. O ministro reiterou a posição brasileira a favor da escolha de uma mulher da região para ocupar, pela primeira vez, o cargo máximo da organização.


