Michelle Bolsonaro (PL) passou a atuar na campanha eleitoral de aliados para compensar a ausência de Jair Bolsonaro (PL), que está preso. A ex-primeira-dama reserva um dia da semana para gravar vídeos destinados a candidatos de fora do Distrito Federal e produz, em média, peças para cerca de 20 pessoas por dia no início da propaganda eleitoral obrigatória.
Nos outros três dias da semana, Michelle grava materiais para sua própria campanha ao Senado e para candidatos da chapa da governadora de Brasília, Celina Leão (PP), de quem é amiga.
O candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, foi a Brasília no começo do mês com sua candidata a vice, a vereadora de Niterói Fernanda Louback (PL), exclusivamente para participar da gravação. O material foi exibido no programa eleitoral obrigatório de rádio e televisão desta quarta-feira (16), com foco na busca por votos de mulheres cristãs e conservadoras. “A Fernanda cuida de quem cuida”, disse Michelle.
Candidatos ligados ao ex-presidente
Pessoas próximas à ex-primeira-dama afirmam que ela prioriza nomes para os quais Bolsonaro faria campanha se estivesse solto. Entre eles está o vereador de Porto Alegre (RS) coronel Ustra (PL), candidato a deputado federal. Ustra é tenente-coronel da reserva do Exército e chefiou a equipe de segurança do ex-presidente no Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Michelle também gravou com o vereador de Belo Horizonte (MG) Vile Santos (PL), que viajou a Brasília apenas para a filmagem. O vídeo é distribuído pela campanha dele por WhatsApp. Na gravação, Vile afirma que estava com a “nossa eterna primeira-dama Michelle Bolsonaro” porque Bolsonaro não podia estar presente.
Entre os demais candidatos que receberam vídeos estão Mosart Aragão (PL), candidato a deputado estadual por São Paulo; Gilson Machado (Podemos), candidato a deputado federal por Pernambuco; Gilson Machado Filho (Podemos), candidato a deputado estadual pelo mesmo estado; e o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), que concorre ao Senado por Roraima e adotou o sobrenome Bolsonaro nas urnas.
Em 2022, Michelle percorreu o país para pedir votos para Bolsonaro. Neste ano, ela afirmou que não poderá repetir o esforço em favor da candidatura do enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL), por causa das condições de saúde do marido. Após semanas de mal-estar público, os dois gravaram um vídeo curto em que pedem votos um para o outro.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e está em regime domiciliar desde março. Ele está proibido de usar as próprias redes sociais ou as de outras pessoas.
No último dia 8, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a entrada do pai, da madrasta e de duas irmãs de Michelle na casa do ex-presidente, além de Renato Bolsonaro. A defesa afirma que Michelle queria uma autorização permanente, e não visitas de apenas duas horas em dois dias da semana. A assessoria da ex-primeira-dama declarou que a decisão mantém restrições e prejuízos aos atos de campanha dela ao Senado.


