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Política

Partidos levam candidatos de outros estados à disputa pelo Senado em 2026

Hélio Lopes concorre por Roraima após carreira no Rio, enquanto outras candidaturas ampliam o debate sobre representação estadual.

Partidos levam candidatos de outros estados à disputa pelo Senado em 2026
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Partidos têm recorrido a políticos conhecidos fora dos estados onde construíram suas carreiras para disputar cadeiras no Senado nas eleições de 2026. A estratégia busca ampliar bancadas alinhadas às direções nacionais e lançar nomes considerados fiéis e competitivos pelas legendas.

Hélio Lopes (PL) deixou o Rio de Janeiro para concorrer por Roraima. Carlos Bolsonaro (PL), após sete mandatos como vereador carioca, foi lançado em Santa Catarina. Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) tentam vagas por São Paulo, depois de trajetórias no Acre e em Mato Grosso do Sul.

A legislação permite a mudança, desde que o candidato comprove domicílio eleitoral no estado por pelo menos seis meses antes da eleição. Para o pleito de 2026, o prazo terminou em 4 de abril. Cada estado elegerá dois senadores.

A disputa pelo controle das bancadas

A cientista política Graziella Testa afirma que o Senado ganhou peso por ter competência exclusiva para aprovar indicações ao Supremo Tribunal Federal e julgar processos de impeachment de ministros. Como senadores podem trocar de partido sem perder o mandato, as cúpulas procuram aliados de confiança para votações consideradas importantes.

“A estratégia é pegar alguém em quem se tem uma confiança absoluta, ainda que não seja daquele estado”, disse Testa, doutora em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e professora da Universidade Federal do Paraná.

A prática não é nova. Em 1990, José Sarney transferiu o título do Maranhão para o Amapá e foi eleito senador pelo estado.

O caso de Hélio Lopes

Hélio Lopes foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro em 2018, com mais de 340 mil votos, e foi reeleito em 2022. Em Roraima, sua candidatura foi articulada a pedido de Jair Bolsonaro e surpreendeu dirigentes locais do PL, que afirmaram ter tomado conhecimento da mudança pela imprensa.

O diretório estadual pretendia lançar apenas Nicoletti para o Senado. Com a inclusão de Lopes, o partido passou a ter dois candidatos ao cargo. Arthur Henrique, presidente do PL em Roraima e candidato ao governo do estado, afirmou: “Descobrimos isso no momento em que a imprensa divulgou que o domicílio eleitoral dele estava aqui em Roraima”.

A divisão do Fundo Eleitoral também gerou diferença entre os candidatos. Nicoletti recebeu R$ 3,1 milhões, enquanto Lopes ficou com R$ 500 mil. Arthur Henrique disse que a direção nacional delegou a gestão dos recursos a políticos com mandato vigente e que Valdemar Costa Neto entregou essa prerrogativa a Nicoletti.

Lopes afirma que sua candidatura atende a uma missão dada por Bolsonaro. Para sustentar sua ligação com Roraima, menciona atuação na região amazônica, um curso militar em Boa Vista em 1999 e o envio de emendas para laboratórios de informática no estado antes da transferência do domicílio eleitoral.

A Justiça Eleitoral proibiu o candidato de usar o nome “Bolsonaro” na urna e na propaganda, sob o argumento de que o sobrenome poderia gerar confusão e vantagem indevida. Ele concorre como “Hélio Fernando Barbosa Lopes”.

Intenções de voto

Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (25) mostra Teresa Surita (MDB) com 22% das intenções de voto para o Senado em Roraima, seguida por Nicoletti, com 19%. Lopes aparece em 7º lugar, com 2%. No levantamento anterior, estava em 5º lugar, com 5%.

Felipe Nunes, diretor do instituto, afirmou que o apoio de Bolsonaro tem peso, mas não garante a eleição. Para ele, a mudança formal do domicílio não cria vínculo imediato com a população, que também avaliará a agenda apresentada para o estado.

Carlos Santiago, presidente da Comissão de Reforma Política e Combate à Corrupção Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas, disse que candidatos sem trajetória local podem não conhecer a dimensão social, econômica e cultural de Roraima. A avaliação, segundo ele, deve considerar se o político atenderá às demandas do estado ou se atuará apenas em torno de projetos nacionais.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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