RIO DE JANEIRO — A pastora e publicitária Sarah Lole, 31 anos, afirma que organiza decisões pessoais, familiares e profissionais a partir da fé evangélica. Ela diz ser de direita, rejeitar o feminismo, não apoiar a liberação de armas e declarar voto em Flávio Bolsonaro (PL) neste ano.
Sarah cresceu na Assembleia de Deus da Penha, igreja liderada por seu avô e que, em 2010, passou a se chamar Vitória em Cristo, sob liderança de Silas Malafaia. Ele é casado com a pastora Elizete, irmã da mãe de Sarah.
Aos 18 anos, segundo Sarah, um relacionamento marcado por traição a afastou de Deus. Ela associa a dependência emocional à falta de demonstrações de afeto do pai, que era coronel da PM. Depois de outro namoro, com um homem que mais tarde se assumiu homossexual, conheceu o marido, Matheus, em um culto. Os dois estão juntos desde 2019 e planejam começar a tentar ter filhos no fim deste ano.
Ordenada pastora aos 29 anos, Sarah considera ter recebido o título cedo. A Vitória em Cristo concede a ordenação a mulheres, mas ela afirma que várias Assembleias de Deus não fazem o mesmo. O trabalho pastoral é voluntário. Para complementar a renda, Sarah trabalha em home office com as redes sociais de Malafaia.
Família, trabalho e costumes
Depois de passar pela L’Oréal, onde pretendia alcançar os cargos mais altos, Sarah diz ter perdido o interesse pelo ambiente executivo e por um emprego formal. Ela afirma ter aberto mão de planos de crescimento financeiro para estar mais presente na igreja. Também diz que não deixará a rotina pastoral ocupar o lugar do marido.
Sarah interpreta a submissão feminina prevista na Bíblia como uma missão compartilhada com o cônjuge, e não como inferioridade. Para ela, a mulher deve auxiliar o marido na condução do lar. O feminismo, em sua avaliação, altera essa divisão e contribuiu para que ela priorizasse a carreira antes de formar uma família.
Ela também critica o que chama de evangelho secularizado e afirma ver uma diferença entre os valores religiosos e os comportamentos fora da igreja. Sobre a comunidade LGBTQIA+, diz que as pessoas são bem-vindas, mas que a fé deve produzir transformação. Cita a ida de Ludmilla a uma igreja no Recreio, na zona oeste carioca, como exemplo dessa abertura.
Violência e política
A preocupação de Sarah com a violência começou depois de ela ser assaltada com a família quando era criança, a caminho do culto. Ela relaciona a violência à educação ruim e à pobreza, critica a redução da idade penal e diz que o país deveria oferecer educação empreendedora.
Sarah não apoia a liberação de armas porque considera que o Brasil não tem maturidade para lidar com elas. Em casos de violência doméstica, defende a aplicação da Lei Maria da Penha e a prisão de homens que agridem mulheres.
A pastora afirma ter saído da escola querendo votar em Marcelo Freixo depois de um professor do ensino médio falar sobre o PSOL. Mais tarde, porém, adotou posições conservadoras e passou a se identificar com a direita. Ela diz que apoiou Jair Bolsonaro (PL) para derrotar a esquerda e proteger o que considera seus principais valores: família, pátria e religião. Também defende o envolvimento dos evangélicos na política.



