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PF aponta inconsistências em contrato de plataforma financiada por emendas de Mário Frias

Relatório cita endereço em loja de roupas, empresas com vínculos e baixa audiência em projeto contratado por instituto que recebeu emendas.

PF aponta inconsistências em contrato de plataforma financiada por emendas de Mário Frias
Foto: Reprodução e Câmara dos Deputados

A Polícia Federal identificou possíveis inconsistências na contratação de uma plataforma digital pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama. O acordo, no valor de R$ 300 mil, foi firmado com o Instituto Super Poder Educacional, que usa o nome Super Leitores, para desenvolver um kit pedagógico, uma plataforma e licenças de uso.

O ICB recebeu R$ 2 milhões de duas emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias. A investigação apura se parte desses recursos foi usada em contratos com entidades ligadas à produtora do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Endereço e vínculos entre empresas

Os investigadores encontraram uma loja de roupas no endereço fiscal indicado como sede do Super Leitores, em Guarulhos (SP). Pamella Cristiane Dias, responsável pelo instituto, afirmou que utilizava uma sala no estabelecimento e depois transferiu as atividades para regime domiciliar.

Para a PF, a situação coloca em dúvida a capacidade de execução do serviço contratado. A corporação também apontou que Pamella declarou à Controladoria-Geral da União não ser responsável pela plataforma, embora apareça como titular do domínio associado ao projeto.

Uma nota técnica da PF menciona evidências de conluio entre empresas que participaram da concorrência e inconsistências nas declarações da responsável pelo instituto. Os metadados dos arquivos enviados indicariam que a nota de pagamento foi emitida minutos antes da criação do orçamento usado na disputa.

As empresas que concorreram com o Super Leitores também haviam participado de outra disputa aberta pelo ICB. Três delas tinham os mesmos números de telefone e o mesmo contador registrados em seus CNPJs. A PF afirmou ainda que a empresa contratada possui ligação com o grupo empresarial investigado.

Pamella é apontada como autora de três livros físicos. Em seu perfil no Instagram, aparece como coordenadora editorial da HD Cultural, uma das empresas que disputaram o contrato.

Entregas e audiência do projeto

O contrato previa o Projeto Jovens Empreendedores, com um kit pedagógico e licença de uso por 12 meses para cada usuário. Três empresas apresentaram propostas inferiores: duas de R$ 200 mil e uma de R$ 230 mil. O ICB justificou a escolha do Super Leitores pela ampliação do escopo, que teria incluído roteirização, produção e gravação de 24 videoaulas autorais.

Segundo o relatório, o site do projeto foi criado em março de 2026, 11 meses depois da emissão da nota de pagamento. As dez videoaulas registravam sete visualizações. A PF considerou o número incompatível com a previsão contratual de capacitar 250 multiplicadores e atender 2.250 estudantes.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira, Mário Frias classificou a operação como “cortina de fumaça”. O parlamentar negou irregularidades, disse que colaborará com a investigação e entregará os documentos solicitados. Também afirmou acreditar que o caso será arquivado.

A operação foi deflagrada nesta quinta-feira (10) e incluiu buscas na residência de Frias.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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