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Política

Rede internacional amplia divulgação de Flávio Bolsonaro em mercados de previsão

Perfis estrangeiros fizeram publicações pagas sobre as chances do senador, em uma rede que inclui aliados de Donald Trump e empresas de tecnologia política.

Como atua a rede estrangeira ligada a Donald Trump em favor de Flávio Bolsonaro na eleição brasileira
Foto: Divulgação Flávio Bolsonaro/Reprodução rede X

Perfis estrangeiros com mais de 1 milhão de seguidores divulgaram publicações pagas sobre as chances de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição brasileira. As mensagens usaram cotações da Polymarket, plataforma de mercados de previsão bloqueada no Brasil, e foram publicadas em abril e setembro.

O Visegrád24 publicou em 20 de setembro que a probabilidade de vitória de Flávio estava subindo na plataforma. A postagem mostrava o senador ao lado do presidente argentino Javier Milei e afirmava que, se ele vencesse, quase toda a América do Sul seria governada por conservadores. O X identificou o conteúdo como “parceria paga”, mas o selo foi apagado posteriormente.

Em 30 de abril, o mesmo perfil havia divulgado que Flávio tinha se tornado favorito, com 43% contra 38% de Lula. Antes disso, em fevereiro, o Visegrád24 entrevistou o senador. Em março, Javier Negre também fez perguntas a Flávio durante uma conferência política no Texas.

As conexões empresariais

A Polymarket é uma plataforma americana na qual usuários negociam contratos vinculados a possíveis resultados de eleições, esportes e outros eventos. Uma cotação de 58% para Flávio representa o preço dos contratos negociados, e não a proporção de eleitores que pretende votar nele.

Desde junho de 2025, a empresa é parceira oficial de mercados de previsão do X. Em agosto de 2025, recebeu investimento do fundo 1789 Capital, do qual Donald Trump Jr. é sócio. Ele também entrou para o conselho consultivo da Polymarket.

O Visegrád24 é mantido pela Intermarium Foundation, entidade americana sem fins lucrativos. A fundação recebeu US$ 175 mil da DonorsTrust para apoiar o perfil. O documento fiscal, porém, não demonstra que esse dinheiro tenha financiado publicações sobre Flávio.

Javier Negre é vice-presidente da UHN Plus Media Network e dono do La Derecha Diario. A UHN publicou ao menos nove mensagens relacionando Flávio às cotações da Polymarket desde 30 de março, incluindo uma publicação paga em 14 de abril. A empresa também se apresenta no X como “powered by Polymarket”.

Negre anunciou parcerias entre seus veículos e a edição em espanhol do Visegrád24. Os envolvidos apresentaram as estruturas como integrantes de uma aliança de mídia, mas os documentos não demonstram sociedade ou caixa comum com a conta principal do perfil.

A ligação com a tecnologia eleitoral

Fernando Cerimedo, marqueteiro argentino, foi sócio de Negre no La Derecha Diario. Em fevereiro, recebeu em Mar-a-Lago o prêmio de “consultor político do ano”, apresentado por Eduardo Bolsonaro. Na ocasião, Eduardo disse: “nós vamos vencer as eleições de outubro com meu irmão Flávio”.

Cerimedo também agradeceu a Brad Parscale, ex-chefe da campanha de Donald Trump e criador da Campaign Nucleus. Em março de 2025, o argentino anunciou que representaria na América Latina as tecnologias da Campaign Nucleus e da EyesOver.

Registros oficiais dos Estados Unidos mostram que a Campaign Nucleus LLC, a EyesOver LLC e a Clock Tower X LLC aparecem associadas ao endereço 3745 Medina Road, Unit C, Medina, Ohio, com variações na forma de identificação do imóvel.

Cerimedo nega qualquer vínculo com a campanha de Flávio. Segundo ele, a relação com a UHN Plus, o Visegrád24 e a Polymarket é responsabilidade exclusiva de Javier Negre.

O que os documentos mostram

A rede já havia produzido conteúdos sobre Flávio antes da onda de publicações de setembro. O Visegrád24 entrevistou o senador em fevereiro e divulgou posts pagos sobre suas cotações em abril e setembro. A UHN Plus fez conteúdo semelhante, enquanto Negre manteve relações empresariais com Cerimedo e com veículos ligados à edição espanhola do Visegrád24.

Essas conexões são documentadas, mas não comprovam que mídia, plataforma de previsão e tecnologia de campanha tenham integrado uma operação única para beneficiar Flávio. Também não foi localizado contrato entre a rede e a candidatura.

Ainda não está esclarecido quem financiou especificamente as publicações, quem escolheu Flávio como tema, quem intermediou a entrevista de fevereiro ou se alguma estrutura estrangeira tem relação direta ou indireta com fornecedores da campanha brasileira.

A legislação eleitoral permite propaganda paga na internet apenas nas hipóteses previstas em lei e proíbe conceder vantagem econômica para que pessoas ou empresas façam publicações político-eleitorais em seus próprios canais. O X informou ao TSE que manteria proibidos no Brasil os anúncios políticos e de campanha.

A campanha de Flávio afirmou que não tinha conhecimento dos anúncios e negou relação formal com Cerimedo. A defesa do marqueteiro também nega as acusações relacionadas ao processo criminal que ele enfrenta na Bolívia.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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