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Política

Empresa ligada a sócias de fornecedora de Flávio tem fundo das Bahamas como majoritário

Hanbellseg declarou contrato de R$ 1,5 milhão ao TSE; suas sócias também integram empresa com participação de 62,65% de fundo estrangeiro.

Flávio Bolsonaro: sócias de empresa contratada por R$ 1,5 mi têm elo com fundo em paraíso fiscal
Foto: Foto Marina Uezima/AFP

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um contrato de R$ 1,5 milhão com a Hanbellseg Serviços e Locações Ltda., empresa de Sorocaba. A fornecedora já recebeu R$ 500 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conforme a prestação parcial de contas da candidatura.

Carolina Carmezin Beldi e Beatriz Carmezim Beldi, sócias da Hanbellseg, também fazem parte da Golden Atividades Imobiliárias Ltda. A empresa tem capital social de R$ 14,9 milhões, e sua maior sócia é a Feyther Investment Fund Ltd., fundo constituído nas Bahamas.

A conexão entre as companhias foi reforçada por uma alteração contratual registrada em novembro de 2025. O documento registra a entrada de Beatriz e Mariana Carmezin Beldi na Golden, a mudança do endereço da empresa e um aumento de capital de R$ 3.417.858, subscrito pela Feyther.

A Golden passou a funcionar na Rua Vicente Lamarca, 326, o mesmo número em que estão registradas a Hanbellseg e a HB3 Serviços de Terceirização. A Hanbellseg ocupa a parte B do imóvel, enquanto a HB3 está na parte C.

Participação do fundo estrangeiro

Com a operação, o capital social da Golden subiu de R$ 11.556.301 para R$ 14.974.159. A Feyther recebeu 3.417.858 novas quotas, de R$ 1 cada, e passou a deter 9.388.000 das 14.974.159 quotas da empresa. O contrato atribui ao fundo uma participação de 62,65%.

Antonio Fabio Beldi aparece com 5.586.156 quotas. Carolina, Beatriz e Mariana ficaram com uma quota cada. A Golden é administrada por Carolina e Nelson Diniz da Costa, que também representa a Feyther no ato societário brasileiro como procurador do fundo.

Antes da alteração, a Golden tinha como sócios a Feyther, Carolina e Antonio Fabio Beldi. Antonio transferiu uma quota para Beatriz e outra para Mariana. Mariana é a única proprietária da HB3, aberta em setembro de 2025.

Registros no Brasil e no exterior

A Feyther tem inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica sob o número 19.311.044/0001-60. Um comprovante emitido pela Receita Federal em 23 de setembro de 2026 identifica o fundo como empresa domiciliada no exterior e registra o CNPJ como suspenso desde 9 de outubro de 2021, por inconsistência cadastral.

O contrato da Golden informa que a Feyther foi constituída conforme as leis das Bahamas e tem endereço em Winterbotham Place, Marlborough and Queen Streets, em Nassau. Em uma relação da Securities Commission of The Bahamas de 30 de setembro de 2020, o fundo aparece sob a classificação SFM 004, administrado pela The Winterbotham Trust Company Limited.

Na lista de 31 de maio de 2026, a Feyther não aparece mais, embora a Winterbotham continue relacionada como administradora de outros fundos. Os registros não informam quando nem por que o fundo deixou de constar da relação.

A Feyther também aparece como manager da Golden Florida Real Estate LLC, aberta na Flórida em 21 de maio de 2015 e ainda ativa no cadastro da Division of Corporations do estado. Nesse registro, o endereço atribuído ao fundo fica em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Golden Florida passou a informar Curitiba, no Paraná, como endereço principal após alteração registrada em 23 de abril de 2026.

Os documentos analisados não identificam o beneficiário final da Feyther. Carolina, Beatriz, Mariana e Antonio Fabio Beldi não aparecem como beneficiários finais do fundo. Nelson Diniz da Costa consta como procurador da Feyther no Brasil e administrador da Golden.

Os registros não apontam transferência de recursos da campanha para a Golden, a Feyther, a Golden Florida, as Bahamas ou as Ilhas Virgens Britânicas. Também não há indicação de que os R$ 500 mil pagos à Hanbellseg tenham sido direcionados a essas empresas ou localidades. A conexão identificada é societária, entre as proprietárias da fornecedora contratada pela campanha e uma empresa cuja maior participação pertence a um fundo estrangeiro.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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