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Rockbridge reúne fortunas, tecnologia e articulação conservadora nos EUA

Criada por J.D. Vance e Chris Buskirk, a rede aproxima investidores, empresários e formuladores de políticas públicas.

Rockbridge reúne fortunas, tecnologia e articulação conservadora nos EUA
Foto: Fabrizio Bensch/Reuters

A Rockbridge Network é um clube privado que reúne investidores, empresários, ativistas e nomes da política conservadora dos Estados Unidos. Criada em 2019, a organização ganhou atenção no Brasil após motivar acusações eleitorais nas últimas semanas.

A rede surgiu de um encontro fechado em Rockbridge, na área rural de Ohio, que deu origem ao nome. A organização mantém atuação discreta e reúne grandes fortunas ligadas aos setores de tecnologia, investimentos, defesa, segurança e política americana.

Origem e principais integrantes

A Rockbridge foi fundada por J.D. Vance, atual vice-presidente dos Estados Unidos, e Chris Buskirk, empresário e investidor conservador. O bilionário Peter Thiel teve papel central na aproximação entre os dois e participou do encontro que deu origem ao grupo.

Thiel foi um dos primeiros grandes investidores do Facebook, além de cofundador do PayPal e da Palantir Technologies. A empresa atua com software e inteligência artificial para análise de grandes volumes de dados, especialmente em defesa, inteligência e segurança nacional.

Vance trabalhou em um fundo ligado a Thiel. Anos depois, o fundo investiu US$ 15 milhões na campanha que levou Vance ao Senado.

A rede também atraiu Marc Andreessen, fundador da Netscape e da Andreessen Horowitz, empresa de venture capital com mais de US$ 100 bilhões sob gestão. Os irmãos Tyler e Cameron Winklevoss, investidores pioneiros em bitcoin e fundadores da plataforma Gemini, também participaram de encontros do grupo.

Entre os nomes ligados à Rockbridge estão ainda Rebekah Mercer, financiadora de organizações conservadoras americanas, e o financista Omeed Malik. Em 2022, conversas entre Buskirk, Malik e Mercer deram origem à 1789 Capital.

A gestora é independente da Rockbridge, embora tenha surgido dentro do mesmo círculo. A 1789 afirma praticar o “capitalismo patriótico” e administra mais de US$ 1 bilhão em ativos. Seus investimentos se concentram em empresas associadas à chamada economia America First, em áreas como tecnologia, defesa e mídia.

Entre as empresas investidas estão SpaceX, de foguetes e satélites; xAI, de inteligência artificial; Neuralink, de implantes cerebrais; e Perplexity, de buscas por inteligência artificial.

Estrutura política e expansão internacional

Documentos internos divulgados nos Estados Unidos descrevem a Rockbridge como uma espécie de “empresa de capital de risco político”. A proposta seria combinar dinheiro e conhecimento para formar uma nova infraestrutura conservadora.

As contribuições para participar do círculo variavam de US$ 100 mil a US$ 1 milhão. Os recursos financiam mobilização eleitoral, pesquisas, mídia e organizações conservadoras. Os integrantes também participam de encontros fechados com investidores, empresários e formuladores de políticas públicas.

Um dos documentos estabelecia como objetivo substituir o que a própria organização chamava de “atual ecossistema do Partido Republicano” por instituições mais orientadas à ação.

Buskirk defende a ascensão de uma nova elite empresarial conservadora, formada em parte nos setores de tecnologia e investimentos. Essa visão se contrapõe, segundo ele, ao poder de uma elite gerencial associada a universidades, meios de comunicação, grandes corporações e à burocracia estatal.

A perspectiva não é necessariamente compartilhada por todos os integrantes da Rockbridge. Ela ajuda, porém, a explicar a aproximação entre tecnologia, poder político e segurança nacional no entorno da rede.

Não há evidência pública de que Alexander Karp, CEO da Palantir, seja membro da organização. No livro “A República Tecnológica”, escrito com Nicholas Zamiska e publicado no Brasil, Karp defende que empresas do Vale do Silício direcionem parte de sua capacidade de inovação para projetos estratégicos dos Estados Unidos, principalmente em inteligência artificial e defesa.

A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China amplia a importância desses setores. Nesse cenário, a capacidade econômica e militar depende do domínio de inteligência artificial, semicondutores, capacidade computacional e das cadeias físicas necessárias para produzir essas tecnologias.

A expansão da inteligência artificial exige data centers, grandes volumes de energia, semicondutores e minerais críticos usados em equipamentos eletrônicos, baterias, motores e sistemas de defesa.

Fora dos Estados Unidos, a Rockbridge começou a se aproximar de países relevantes para essas cadeias. A Coreia do Sul aparece como principal exemplo por sua produção de semicondutores, baterias e outros componentes tecnológicos. Buskirk participou pessoalmente dessa aproximação.

Também há interesse em ampliar a atuação para Taiwan, Índia e Brasil. O Brasil é citado nesse movimento por ter um grande mercado consumidor, energia e algumas das maiores reservas mundiais de minerais estratégicos para diferentes segmentos da indústria tecnológica.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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