Três senadores democratas dos Estados Unidos afirmam que ações do governo Donald Trump ameaçam a relação estratégica com o Brasil e podem interferir na eleição presidencial. Em uma carta enviada ao secretário de Estado, Marco Rubio, Peter Welch, Tim Kaine e Jeanne Shaheen acusam autoridades americanas de promover uma campanha de interferência e desestabilização no país.
O documento foi assinado por Welch, Kaine e Shaheen, sendo que os dois últimos integram o Comitê de Relações Exteriores. Shaheen é a principal democrata no comitê, enquanto Kaine ocupa uma posição de destaque no colegiado.
A carta foi encaminhada menos de uma semana depois de outro documento sobre o tema, enviado na quinta-feira (24) pelo senador independente Bernie Sanders e 30 deputados democratas.
Tarifas, sanções e pressão política
Os senadores dizem que autoridades americanas participaram, durante o segundo mandato de Trump, de uma campanha de interferência e desestabilização no Brasil. Entre os exemplos mencionados estão a imposição de tarifas e sanções durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e novas tarifas sobre produtos brasileiros após uma investigação aberta pelo USTR, o Representante de Comércio dos Estados Unidos.
O documento também cita a nomeação de Darren Beattie como assessor sênior para assuntos relacionados ao Brasil no Departamento de Estado. Os parlamentares descrevem Beattie como extremista e supremacista branco e afirmam que declarações públicas dele demonstrariam compromisso com o enfraquecimento das instituições democráticas brasileiras e com os interesses da extrema direita do país.
Os senadores reconhecem que houve redução das tensões entre os países, com conversas diretas e cordiais entre Trump e o presidente Lula. Segundo eles, porém, a pressão sobre autoridades brasileiras foi retomada depois da nomeação de Beattie.
A carta menciona ainda uma reunião entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro no Salão Oval, quando o candidato à Presidência precisava responder a uma notícia negativa para sua campanha relacionada a pedidos de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para os parlamentares, ações recentes do governo americano indicam uma tentativa de interferir e potencialmente enfraquecer a eleição geral do Brasil em outubro.
O Departamento de Estado afirma que respeitará o resultado do pleito, mas usa a expressão eleições livres e justas. Em agosto, um funcionário americano disse que os Estados Unidos respeitam o povo brasileiro e qualquer governo escolhido por meio de eleições livres e justas no Brasil.
Os senadores compararam a postura atual de Washington à adotada em 2022, quando os Estados Unidos reconheceram rapidamente a vitória de Lula. Eles também citaram os ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos três Poderes e disseram que, naquele momento, os Estados Unidos apoiaram o governo recém-eleito e ajudaram a mobilizar apoio regional à defesa da Constituição de 1988 e das instituições democráticas.
Ao final, Kaine, Shaheen e Welch perguntam a Rubio como o Departamento de Estado coordena objetivos relacionados à democracia e aos direitos humanos com parceiros do Hemisfério Ocidental. Também questionam se o governo Trump reconhecerá o resultado certificado das eleições brasileiras de 2026 e manterá relações diplomáticas normais com qualquer candidato escolhido pelo povo brasileiro.



