A sessão do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisou a relação entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, foi marcada por discussões entre ministros e momentos de tensão.
Moraes e André Mendonça entraram em confronto na primeira parte do julgamento. Moraes acusou o colega, relator do inquérito do Master, de parcialidade. Mendonça negou a acusação e afirmou que ela era uma mentira. Em seguida, Moraes disse que o ministro atuava "a serviço de um grupo político" que tentou dar um golpe no país, em referência aos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Gilmar Mendes também questionou a atuação de Mendonça, a quem atribuiu viés político-eleitoral. Ele criticou a divulgação do relatório sobre Moraes às vésperas do 7 de Setembro, chamou o colega de "pixuleco" e contestou a decisão que afastou Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal.
Pedido de vista
Outro embate ocorreu depois que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, negou ter proximidade com Vorcaro. Mendonça tentou responder às suspeitas, mas foi interrompido por Gilmar Mendes, que classificou a postura do colega como leviandade e disse que ele tinha um sentimento policialesco. Mendonça pediu respeito.
A discussão terminou com o pedido de vista de Flávio Dino, que solicitou mais tempo para analisar o caso. Ele classificou como desastrosa a condução da sessão por Edson Fachin, presidente do Supremo. Cármen Lúcia lamentou o rumo do julgamento e afirmou que o episódio havia criado um mal-estar cívico.


