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Teologia do domínio amplia debate sobre religião e poder político no Brasil

Correntes defendem que cristãos devem ocupar e controlar áreas como política, educação, mídia e economia, segundo especialistas.

Teologia do domínio amplia debate sobre religião e poder político no Brasil
Foto: Folhapress

O debate sobre a teologia do domínio ganhou espaço no Brasil com a proximidade das eleições e a relação de parte da igreja evangélica com o poder político. Vídeos sobre o tema passaram a circular em grupos de mensagens e nas redes sociais.

O conceito reúne correntes teológicas segundo as quais cristãos teriam um mandato divino para assumir o controle de instâncias de poder e de diferentes áreas da vida pública. A proposta, portanto, não se limitaria à presença ou à influência na sociedade, mas envolveria o exercício de domínio sobre ela.

Origem e ideias centrais

A pesquisadora Magali Cunha, do Iser (Instituto de Estudos da Religião), afirma que o movimento começou nos Estados Unidos, no início do século 20. Uma de suas raízes está entre cristãos calvinistas, seguidores da ideia de João Calvino de que Deus controla todas as coisas.

O fundamentalismo religioso surgiu com a intenção de preservar a fé cristã diante do que seus seguidores consideravam ameaças, entre elas a revolução industrial e suas mudanças. Nesse contexto, desenvolveu-se a noção de batalha espiritual, entendida como a luta entre o bem e o mal.

O sociólogo Rodrigo Toniol explica que, nessa visão, territórios, instituições, cidades e outras esferas sociais podem estar sob influência do mal e precisariam ser reconquistados para Deus. “Dominar”, nesse caso, significaria fazer prevalecer o bem sobre o mal, afirma.

Depois da Segunda Guerra Mundial, outra corrente passou a defender não apenas a proteção da fé, mas a ocupação de todas as áreas da sociedade. A tese dominionista se apoia em uma leitura do livro de Gênesis, capítulo 1, verso 28, no qual Deus concede ao homem poder sobre sua criação.

O teólogo e antropólogo Igor Shimura, professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), associa a lógica da teologia do domínio ao Velho Testamento, que também registra guerras em nome de Deus. Para ele, igrejas pentecostais e neopentecostais, como Universal e Assembleia de Deus, baseiam-se mais nesse conjunto de textos do que igrejas reformadas, como as presbiterianas.

Religião, política e sociedade

A diferença ajuda a explicar, segundo Shimura, a maior presença de igrejas pentecostais na política e na teologia do domínio. Ele cita a Igreja Batista da Lagoinha, que criou o Clava Forte Bank. Magali Cunha, porém, considera equivocada a associação direta entre a tese do domínio e os pentecostais. Ela lembra que Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação do governo Bolsonaro, é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil e deixou o cargo após a revelação de um “balcão de negócios” do MEC.

Outra corrente relacionada à ideia dominionista é a teologia dos sete montes ou das sete montanhas. As áreas que os cristãos deveriam dominar por ordem de Deus seriam família, religião, educação, política, mídia, artes e economia.

Shimura afirma que essa concepção busca reconstruir a sociedade com base em valores bíblicos, e não apenas influenciá-la. Para ele, a participação cristã na sociedade faz parte da missão evangélica, mas não implica controlá-la. “Nós não precisamos dominar todos os lugares”, diz.

O pastor e teólogo Sergio Moreira, autor do livro “A Teologia do Domínio”, também considera equivocada a ideia de estabelecer um domínio evangélico sobre a Terra. Ele afirma que o reino de Deus é espiritual e que os valores de Jesus devem ser ensinados, não impostos.

Shimura diz existir uma teologia do domínio em curso no Brasil, orientando parte dos cristãos a seguir os interesses de líderes religiosos. Ao mesmo tempo, pondera que o evangélico médio não busca dominar a sociedade e que a aplicação política da tese estaria ligada à busca por cargos e poder.

Cunha lembra que o Brasil é um país laico e deve garantir a liberdade de culto, inclusive para quem não tem religião. Para ela, há um problema quando um grupo religioso tenta criar leis e políticas públicas com base em uma única perspectiva, porque isso desconsidera a diversidade religiosa e compromete o Estado democrático de Direito.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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