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Zanin e Moraes adotam cobranças diferentes sobre acesso a provas no caso Master

Ministros pediram acesso a dados do caso Master, em contraste com posições anteriores em processos ligados a Bolsonaro e às fake news.

Zanin e Moraes adotam cobranças diferentes sobre acesso a provas no caso Master
Foto: AFP

Os ministros Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, passaram a cobrar acesso a informações adicionais na investigação do caso Master. A postura contrasta com decisões anteriores dos dois em processos relacionados à trama golpista e ao inquérito das fake news.

No domingo (13), Zanin pediu à Polícia Federal a íntegra do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O objetivo era analisar o conteúdo antes da sessão desta terça-feira (15), incluindo o material que serviu de base para um relatório elaborado pela PF a pedido do ministro André Mendonça. O documento reúne mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.

A solicitação difere da posição adotada por Zanin quando o Supremo analisou o recebimento da denúncia contra o núcleo central da trama golpista. A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro alegava não ter acesso amplo aos dados dos celulares apreendidos, entre eles o de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens.

Em seu voto, em março do ano passado, Zanin afirmou que não havia nulidade. Para o ministro, as defesas tinham acesso aos elementos de prova documentados no processo e usados pela Procuradoria-Geral da República na denúncia. Ele sustentou que o acesso integral deveria ocorrer depois do recebimento da acusação.

“Agora temos que ver realmente o momento em que essas garantias incidem ou que incidem com maior relevância”, disse Zanin na ocasião.

Moraes e o sigilo do caso Master

Moraes também adotou, no caso Master, uma postura diferente da que teve no inquérito das fake news. Em 2020, diante de reclamações sobre acesso aos autos, o ministro autorizou investigados a consultar apenas as partes relacionadas especificamente a cada um deles.

Neste domingo, Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a retirada do sigilo de um dos inquéritos do caso Banco Master antes da sessão desta terça-feira. Ele afirmou que Mendonça não havia tornado pública uma parte da investigação com elementos essenciais para o julgamento e pediu que os dados fossem disponibilizados aos demais ministros.

Para Renato Stanziola Vieira, advogado criminalista e doutor em direito processual penal pela USP, a postura de Zanin é diferente nos dois episódios. Ele apontou, porém, que há distinção entre o pedido de acesso feito pela defesa de um acusado e a solicitação de um ministro que busca igualdade de informações entre os integrantes da corte.

Vinícius Assumpção, diretor do IBCCrim e doutor em direito pela UnB, também destacou essa diferença. Para ele, a busca de dados mencionados por um relator que não chegaram aos demais ministros reforça a importância de conhecer as informações antes de atuar como julgador. Assumpção afirmou ainda que postergar o acesso da defesa às provas usadas pela PGR é difícil de sustentar por causar prejuízo ao direito de defesa.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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