SÃO PAULO — O Brasil tem capacidade para atrair investimentos ligados à inteligência artificial, mas precisa definir como se posicionar de forma mais competitiva, afirmou nesta quinta-feira (24) Bruno Barino, presidente-executivo da BlackRock Brasil.
Durante um evento da Monte Bravo em São Paulo, Barino disse que o país dispõe de energia e capacidade para participar da cadeia de IA. Para ele, o desafio é desenvolver um arcabouço regulatório e disputar recursos em escala global. "O Brasil tem a energia" é um dos pontos destacados pelo executivo.
Investimentos e produtividade
Barino afirmou que muitas operações da cadeia de inteligência artificial são vinculadas ao dólar, o que, segundo ele, cria uma proteção cambial para os investimentos. A avaliação da BlackRock não indica a existência de uma bolha de IA. O executivo disse que há uma alta inicial de custos, mas que os ganhos de produtividade devem começar a aparecer em toda a cadeia.
A estimativa apresentada por Barino é de que a IA movimente entre US$ 5 trilhões (R$ 26 tri) e US$ 8 trilhões (R$ 41,5 tri) em investimentos nos próximos quatro a cinco anos. O cálculo considera a cadeia completa, desde os data centers até as aplicações finais. "Isso reconfigura totalmente o mundo", afirmou.
Um estudo do Reglab (Centro de Estratégia e Regulação) estima que a inteligência artificial possa adicionar quase R$ 1 trilhão à economia brasileira entre 2027 e 2030. O valor representa, em valor presente, a soma dos ganhos de produção projetados para o período.
No cenário central do estudo, a tecnologia elevaria o PIB em 2,77% no intervalo, equivalente a uma média anual de 0,69 ponto percentual. Do impacto estimado, 65% viriam do aumento da produtividade dos trabalhadores, enquanto 35% decorreriam do uso da tecnologia em máquinas, equipamentos e outros ativos produtivos.



