MENLO PARK (CALIFÓRNIA) — A Meta apresentou o Muse Charm, um dispositivo portátil do tamanho de um relógio de bolso que permite acessar diretamente o agente de inteligência artificial Muse. O aparelho foi revelado por Mark Zuckerberg durante a conferência anual Meta Connect, nesta quarta-feira (24).
O usuário pode tocar no dispositivo para abrir o Muse sem recorrer aos aplicativos de inteligência artificial instalados no smartphone. A empresa também planeja levar o agente para toda a linha de óculos inteligentes da Meta.
A apresentação representa uma mudança na estratégia de Zuckerberg. Depois de defender o metaverso como a próxima grande plataforma de computação — ideia que levou a empresa a mudar de nome em 2021 —, o executivo passou a priorizar o que chama de superinteligência pessoal.
“Na verdade, está bastante claro que a superinteligência pessoal não só virá primeiro, como será muito maior e mais importante”, disse Zuckerberg na Meta Connect. Ele afirmou que a Meta mudou o foco para criar dispositivos voltados a essa tecnologia.
O Muse Charm tem uma tela de aproximadamente 2 polegadas (5 cm), controlada com o polegar, e exibe no centro um personagem Muse que pode ser personalizado. Um modem 5G permite usar o agente sem conexão Wi-Fi, mas o dispositivo não faz chamadas.
Mercado e público potencial
A Meta teve alta de mais de 3% nas ações nesta quinta-feira. Desde o lançamento do Muse, em 8 de setembro, os papéis acumulam valorização de quase 24%. A empresa pode acrescentar cerca de US$ 56 bilhões ao valor de mercado, que estava próximo de US$ 324 bilhões no fechamento de quarta-feira (23).
Analistas avaliam que o aparelho pode atrair consumidores da geração Z, grupo formado por pessoas entre 14 e 29 anos. Esse público tende a usar assistentes de IA como companheiros ou parceiros de conversa e a interagir com a tecnologia por meio de notas de voz e vídeos curtos.
Para Linda Sui, fundadora da Smart Analytics Global, a combinação de inteligência artificial, moda e personalização pode favorecer a adoção entre os mais jovens, sobretudo se o produto tiver preço acessível e operação simples. Jitesh Ubrani, diretor da IDC, afirmou que o dispositivo pode interessar a pessoas que não querem usar óculos ou não confiam nesse tipo de aparelho.
Ubrani também comparou o conceito aos Tamagotchis, brinquedos virtuais que se tornaram populares no final da década de 1990. Segundo ele, o dispositivo pode executar localmente um modelo pequeno de linguagem.
Ainda não está claro se o Muse Charm manterá o ritmo de interesse nem se conseguirá alcançar um público amplo. O Rabbit R1, dispositivo de IA generativa da startup Rabbit, teve lançamento de grande repercussão no início de 2024, mas acabou fracassando após prometer recursos que não entregou e apresentar uma experiência pouco confiável.
Sui disse ser cautelosa quanto ao potencial do Muse Charm no mercado de massa. Na avaliação dela, o aparelho precisará oferecer funções que smartphones, relógios, fones de ouvido e óculos inteligentes não substituam facilmente para deixar de ser apenas um produto desejado pelos primeiros usuários.



