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Tecnologia

TikTok direciona interessados em abuso infantil para vendas no Telegram

Criminosos usam códigos nos comentários e oferecem amostras, links e pagamentos por PIX para vender material ilegal.

TikTok direciona interessados em abuso infantil para vendas no Telegram
Foto: Reprodução/Telegram

Publicações no TikTok estão sendo usadas para atrair interessados em conteúdo de abuso sexual infantil e direcioná-los a negociações no Telegram. Os criminosos inserem códigos nos comentários para driblar a fiscalização e conduzir os usuários até grupos, bots, conversas privadas e páginas criadas dentro do aplicativo.

Os termos e códigos identificados não são divulgados para evitar sua propagação. As publicações podem ter vídeos sem relação aparente com o material anunciado, como um gato dançando, ou referências mais claras, incluindo imagens de crianças. Em um dos casos, um vídeo criado por inteligência artificial mostra o bilionário Jeffrey Epstein afirmando ter criado um grupo onde seria possível “enviar de tudo”.

No Telegram, os vendedores oferecem diferentes tipos de material, incluindo cenas de estupro e conteúdo envolvendo adolescentes. Antes da venda, costumam enviar amostras gratuitas ou prévias em vídeos autodestrutivos, apagados depois da primeira visualização.

Como funcionam as negociações

As vendas ocorrem de três formas: por meio de bots, com eventual intervenção de uma pessoa; em conversas privadas diretamente com os criminosos; ou em sites abertos dentro do próprio Telegram. Esses sites são criados com os chamados miniapps, recursos desenvolvidos em JavaScript que permitem abrir uma página semelhante a um site sem sair do aplicativo.

Quando há um link, ele geralmente inclui a palavra invite, seguida de um código. O usuário precisa inserir essa sequência para acessar uma página no Telegram com uma prévia do conteúdo. Em uma das páginas verificadas, compradores eram incentivados a compartilhar links no TikTok em troca de acesso gratuito a novos arquivos.

A maior parte dos comentários identificados estava em espanhol, mas também havia muitos em português. Não foi possível confirmar a localização das contas porque o TikTok não informa o país de origem dos perfis. Uma plataforma que reúne dados públicos estimou que a maioria das contas monitoradas estaria na Europa, principalmente na Espanha, em Portugal e na Polônia.

Em alguns casos, o TikTok bloqueou buscas associadas ao crime. Códigos diferentes, porém, continuaram levando a publicações sem restrições.

Valores e pagamentos

Um dos pacotes anunciados custava US$ 25 (cerca de R$ 130) e dava acesso a um grupo privado com milhares de vídeos. Outros eram oferecidos por US$ 11,99 (cerca de R$ 62) e US$ 17,50 (cerca de R$ 90). Também havia pacotes de 3 GB por R$ 10 e de 15 GB por R$ 35.

Depois de enviar uma prévia, os criminosos forneciam uma chave PIX. Com a confirmação do pagamento, os arquivos eram enviados na própria conversa. Investigadores da Polícia Federal afirmam que muitos usam contas de terceiros, de laranjas ou de ex-namoradas.

A Polícia Federal alerta que as transações deixam registros capazes de ajudar na identificação dos compradores. Bancos também podem considerar suspeitas operações atípicas ou realizadas a partir de diferentes regiões e bloquear as contas.

Penas previstas

O acesso, a produção e a divulgação desse material são crimes no Brasil. Ana Cláudia Cifali, coordenadora jurídica do Instituto Alana, afirma que a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital tem como base o artigo 227 da Constituição Federal e que as condutas já estavam previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente desde 2008.

Desde o início de agosto, uma lei prevê penas mais duras. Quem produz ou vende conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes pode receber de 4 a 10 anos de reclusão, além de multa. Para quem adquire, possui ou mantém o material, a pena é de 3 a 6 anos de reclusão e multa.

As regras foram sancionadas por Luiz Inácio Lula da Silva em 6 de agosto de 2026. O projeto foi apresentado pelo deputado federal Osmar Terra e aprovado pelo Senado em 7 de julho. A lei também prevê punição para quem solicita ou acessa esse tipo de conteúdo em aplicativos, serviços de streaming ou outros meios digitais, inclusive quando o material é gerado por inteligência artificial.

Respostas das plataformas

O Telegram informou que removeu 339.760 grupos e canais relacionados a material de abuso sexual infantil em 2026. A empresa disse que proíbe esse conteúdo e utiliza moderação humana, análise de mídias públicas e comparação com bancos de dados de arquivos já removidos.

O TikTok afirmou: “Removemos esse conteúdo rapidamente e banimos permanentemente as contas envolvidas”. A empresa disse ainda que usa sistemas para monitorar e remover materiais que explorem ou causem danos a jovens. No primeiro trimestre de 2026, segundo a plataforma, 99,8% dos conteúdos que violaram suas políticas sobre abuso sexual e físico de jovens foram removidos de forma proativa.

A Meta afirmou que tem regras contra exploração sexual, abuso e nudez infantil e que investe em tecnologia para identificar possíveis violações.

Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, disse que a mesma estratégia também é usada no X, YouTube e Facebook. A organização entregou à Agência Nacional de Proteção de Dados um levantamento com cerca de 1.093 contas do Telegram com indícios de material de abuso sexual infantil.

Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública registraram 4.063 casos de produção, posse ou distribuição desse material em 2025, ante 3.280 no ano anterior, aumento de 23%.

Denúncias podem ser feitas à Polícia Militar, pelo 190, em situações de risco imediato; ao Samu, pelo 192, em pedidos urgentes; ao Disque 100, de forma anônima; a delegacias, ao Ministério Público e aos conselhos tutelares. Profissionais de saúde também devem notificar suspeitas de violência.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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