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Petróleo divide Oiapoque entre promessa econômica e receio ambiental

Exploração da Petrobras mobiliza expectativas de empregos e royalties, mas indígenas e pescadores temem vazamentos e impactos na região.

Petróleo divide Oiapoque entre promessa econômica e receio ambiental
Foto: Albenir Sousa/Rede Amazônica

A exploração de petróleo na costa do Amapá colocou Oiapoque entre a expectativa de crescimento econômico e a preocupação com possíveis danos ambientais. A cidade fica na fronteira com a Guiana Francesa, em uma região próxima a áreas onde Guiana e Suriname já produzem petróleo em larga escala.

A Petrobras começou a exploração offshore no local há cerca de um ano. Em agosto, a estatal informou ter identificado hidrocarbonetos em seu primeiro poço, situado a 175 km da costa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a área depois do anúncio e classificou o petróleo regional como “passaporte para o futuro”.

Receio entre indígenas e pescadores

Na aldeia Mangá, às margens do rio Curipi, o cacique Wagner Karipuna, de 57 anos, teme que um vazamento alcance os rios da região. A comunidade fica a cerca de 20 km do centro de Oiapoque. “Se ocorrer um vazamento, então com certeza isso vai afetar. A água não tem fronteira”, afirmou.

A Petrobras diz que seus estudos não apontam probabilidade de o petróleo chegar à costa. A empresa também afirma manter diálogo com comunidades indígenas e ter ajustado o tráfego aéreo após conversar com lideranças locais.

Jean Paul Prates, que presidiu a Petrobras entre 2023 e 2024, disse que não há exploração offshore sem risco. Para ele, embora a chance de vazamento seja baixa, as consequências poderiam ser graves.

Wagner também relata incômodo com o tráfego diário de helicópteros e aviões, que, segundo ele, afasta aves e outros animais. Entre pescadores, o temor é de prejuízo à comercialização. Joelso Mendonça, vice-presidente da colônia Z03, que reúne cerca de 400 pessoas, afirma que consumidores poderiam evitar pescado de uma área atingida por petróleo.

Empregos, royalties e pressão sobre a cidade

Parte dos moradores associa a exploração a novas oportunidades. Jacqueline Cadete, pastora de 45 anos, mudou-se para um bairro novo no fim de 2025 após anos fora do Brasil e diz ter retornado pelas possibilidades ligadas ao petróleo.

Estimativa do Observatório Nacional da Indústria aponta potencial de criação de mais de 50 mil empregos no Amapá. A atividade também poderá gerar royalties para governos locais se houver produção comercial. Magda Chambriard, presidente da Petrobras, afirmou em agosto que a produção não deve começar nos próximos seis ou sete anos.

O prefeito Inácio Monteiro Maciel demonstra otimismo, mas diz que a cidade terá de investir em infraestrutura e políticas sociais. “Precisamos começar quase tudo do zero”, afirmou.

Oiapoque tinha cerca de 28 mil habitantes no Censo de 2022 do IBGE, e mais da metade da população recebia o Bolsa Família naquele ano. A prefeitura estima que hoje vivam entre 40 mil e 45 mil pessoas no município. O prefeito relaciona o aumento da procura por imóveis à chegada de novos moradores e à especulação imobiliária.

No bairro Nova Conquista, Thais Pereira de Souza, de 32 anos, mora com o marido, dois filhos e a nora grávida em uma casa sem água e eletricidade. A família deixou o centro para reduzir gastos com aluguel e espera que o petróleo melhore sua condição de vida.

Lilma Campos, presidente da Associação Comercial e Industrial de Oiapoque, prevê mudanças, mas afirma que ainda não é possível dimensionar o efeito econômico. Para ela, as expectativas de transformação radical da cidade ainda não foram confirmadas.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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