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Clima pode ampliar circulação de arbovírus e mudar o alcance de doenças no Brasil

Temperaturas mais altas, chuvas irregulares e desmatamento alteram as condições para mosquitos e outros vetores de doenças.

Clima pode ampliar circulação de arbovírus e mudar o alcance de doenças no Brasil
Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

O aumento das temperaturas, a irregularidade das chuvas e a expansão de áreas desmatadas podem alterar a distribuição de mosquitos, carrapatos e outros transmissores de arbovírus no Brasil. Com isso, doenças antes concentradas em determinadas regiões podem encontrar condições para chegar a novos territórios ou permanecer ativas por períodos maiores.

O país já reúne uma grande variedade de insetos capazes de transmitir esses vírus. Dengue, zika e chikungunya estão entre os exemplos mais conhecidos. Oropouche, mayaro e o vírus do Nilo Ocidental também fazem parte do radar da vigilância epidemiológica.

Em agosto de 2026, São Paulo confirmou os dois primeiros casos humanos de febre do Nilo Ocidental no estado, em Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Santa Catarina confirmou dois casos e registrou a morte de uma mulher de 77 anos pela doença. Um caso ainda está em investigação no Piauí.

Temperatura e transmissão

O clima influencia o desenvolvimento, a reprodução, a sobrevivência e a distribuição geográfica dos vetores, segundo Álvaro Madeira Neto, médico sanitarista e gestor em saúde. No caso do Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chikungunya, temperaturas elevadas combinadas a mudanças no padrão das chuvas podem favorecer a reprodução do mosquito.

O Ministério da Saúde relaciona a disseminação do Aedes pelo território nacional ao aumento da temperatura e às alterações nos padrões de precipitação. Marielena Vogel Saivish, pesquisadora na University of Texas Medical Branch, afirma que o calor pode acelerar o desenvolvimento das larvas, antecipar a fase adulta, encurtar o intervalo entre posturas de ovos e aumentar a frequência de alimentação.

A temperatura também pode reduzir o período necessário para que o vírus se multiplique dentro do mosquito e alcance as glândulas salivares. Esse intervalo é chamado de período de incubação extrínseca. “Em temperaturas adequadamente mais altas esse intervalo fica mais curto e isso pode fazer uma diferença epidemiológica enorme”, explica Saivish.

Diferenças entre as regiões

Os efeitos das mudanças climáticas variam conforme os biomas e as características locais. Na Amazônia, a combinação de floresta, rios, biodiversidade, alterações no uso do solo e circulação de animais silvestres envolve diferentes vetores e ciclos de transmissão. Oropouche e mayaro estão historicamente associados à região.

Fernando Silveira, infectologista da Secretaria de Saúde do DF e do Hospital Brasília, afirma que desmatamento, abertura de estradas, mineração e ocupação de novas áreas podem ampliar o contato entre pessoas e ciclos silvestres.

No Nordeste, o calor e a irregularidade das chuvas modificam as condições para a presença de mosquitos, com diferenças entre áreas urbanas, semiáridas e costeiras. O armazenamento de água durante períodos de escassez também pode influenciar o risco epidemiológico.

No Centro-Oeste, altas temperaturas, expansão urbana, áreas rurais e circulação de pessoas e animais formam um cenário de conexão entre ambientes silvestres, rurais e urbanos. No Sul e no Sudeste, temperaturas mais elevadas podem favorecer a presença ou ampliar o período de atividade de alguns vetores.

Condições para novos surtos

A chegada de um vírus a uma nova área pode ocorrer por meio de pessoas infectadas, animais ou pela expansão natural de mosquitos e outros vetores. A transmissão, porém, depende da presença do vetor adequado, de condições ambientais favoráveis e do contato entre vetor, hospedeiros e população.

Chuvas podem criar recipientes com água parada, enquanto períodos quentes aceleram o desenvolvimento do Aedes aegypti. Secas prolongadas podem reduzir alguns criadouros naturais, mas também estimular o armazenamento doméstico de água. Enchentes podem deslocar populações, danificar sistemas de abastecimento e saneamento e aumentar a exposição a agentes infecciosos.

Urbanização acelerada, ocupação desordenada do território, falta de saneamento básico, armazenamento inadequado de água, circulação de pessoas e animais e desmatamento podem agir junto às alterações climáticas. “Eles interagem. Uma epidemia é o resultado de uma rede de condições”, diz Saivish.

A preocupação para os próximos anos está na combinação desses fatores, que pode permitir que vírus já existentes se estabeleçam em áreas diferentes ou permaneçam ativos por mais tempo. A sazonalidade também pode mudar, alterando a duração e a intensidade dos períodos de maior transmissão da dengue.

A coexistência de vários arbovírus ainda pode dificultar o diagnóstico e pressionar a assistência à saúde. Quando um vírus chega a uma população com pouca imunidade prévia, mais pessoas ficam suscetíveis, o que pode aumentar a procura por unidades básicas, emergências, laboratórios e hospitais em um intervalo curto.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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