A China consegue concluir grandes projetos de infraestrutura em prazos menores e com custos mais baixos do que os registrados em obras semelhantes nos Estados Unidos. Especialistas associam a diferença aos modelos de planejamento, contratação e execução adotados pelos dois países.
A ponte do Cânion Huajiang foi planejada em cerca de três anos, enquanto a montagem de sua estrutura principal levou 73 dias. Nos Estados Unidos, uma obra de engenharia no estado de Nova York, com aproximadamente o dobro do comprimento, demorou cerca de cinco anos e custou US$ 4 bilhões. A ponte chinesa teve custo cerca de 13 vezes menor.
Contratação e coordenação
Nos Estados Unidos, grandes projetos costumam reunir construtoras, consultorias, projetistas, revisores, fornecedores e empreiteiros. Para Anil K. Agrawal, professor do City College of New York, a sucessão de contratos e margens de lucro pode elevar o preço final. “No final das contas, o custo vai ser o dobro ou o triplo”, afirmou.
Na China, o governo pode coordenar diretamente obras consideradas estratégicas e concentrar recursos em grande escala. Esse arranjo é usado especialmente em projetos prioritários para o desenvolvimento regional e a integração de áreas mais pobres.
A diferença também aparece na conservação da infraestrutura. Dados do governo americano indicam que 68 pontes em 19 estados precisam de manutenção imediata ou correm risco de colapso. Parte da rede foi construída décadas atrás e não recebeu investimentos suficientes para acompanhar as necessidades atuais.
Além da questão financeira, os projetos americanos podem avançar mais lentamente por causa da sucessão de etapas de contratação, revisão, fiscalização e aprovação.
Infraestrutura como estratégia
Na província de Guizhou, estradas, túneis, pontes, internet de alta velocidade e atrações turísticas são apresentados como partes de uma estratégia para conectar áreas isoladas e criar oportunidades econômicas. Grandes obras também funcionam como demonstrações concretas de desenvolvimento.
Nos Estados Unidos, a Casa Branca apresenta a retomada industrial como uma das maiores reindustrializações da história americana. Levantamentos independentes, porém, mostram que algumas dessas regiões ainda enfrentam demissões e perda de empregos.
Maria Repnikova afirma que os Estados Unidos têm mais espaço para a imprensa, críticas públicas e questionamentos sobre os resultados das políticas. Na China, segundo a pesquisadora, o controle sobre a informação é maior. “Muita discórdia e confusão. É justamente por isso que a China, independentemente do que prometa, parece muito mais organizada e viável”, disse.



