BRASÍLIA — Entidades do setor produtivo do Distrito Federal defenderam diálogo institucional e cooperação para a reestruturação do Banco de Brasília (BRB). Em manifesto, as organizações afirmaram que o banco é estratégico para a oferta de crédito, a geração de empregos e a manutenção de programas públicos.
O documento foi assinado pela Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-DF), pela Associação Brasiliense de Construtores (Asbraco), pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do DF (CODESE-DF), pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fercomércio-DF) e pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-DF).
As entidades disseram que a recuperação do BRB exige rigor técnico e apuração responsável diante de eventuais irregularidades. Também defenderam que as alternativas adotadas preservem a estabilidade do banco, a continuidade das operações e os interesses da sociedade.
O manifesto afirma ainda que as decisões sobre a instituição devem seguir critérios técnicos e de governança, sem relação com disputas partidárias ou calendários eleitorais. As organizações declararam compromisso em colaborar para o restabelecimento da solidez do banco.
Empréstimo para o banco
A manifestação foi divulgada depois de a governadora Celina Leão (PP) anunciar uma reunião com representantes de bancos árabes para tratar de um empréstimo destinado a recompor as contas do BRB. O encontro estava previsto para a tarde desta quinta.
Segundo Celina, o ministro Fux deu 15 dias para que a União, outros entes e o Banco Central se posicionassem. Ela também afirmou que haveria uma reunião com os Emirados Árabes, que estariam fazendo uma proposta de empréstimo ao governo do Distrito Federal. A governadora não detalhou o encontro.
O BRB enfrenta uma crise desde novembro de 2025, quando a operação Compliance Zero revelou suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O BRB tentou comprar o Master e injetou R$ 16,7 bilhões na instituição. A operação foi barrada pelo Banco Central, e o BRB posteriormente identificou que parte das carteiras adquiridas era fraudulenta e sem lastro.
O governo do DF, acionista majoritário do BRB, busca um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para recompor o patrimônio do banco. O governo federal informou que não pode garantir a operação, mas o Distrito Federal mantém o pedido.
Troca de críticas
Em evento de campanha em Brasília, nesta quarta-feira (16), Lula criticou Celina Leão e o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB). O presidente atribuiu a situação do BRB à ligação entre Ibaneis e Daniel Vorcaro, do Banco Master, e disse que a governadora estaria transferindo a responsabilidade para o governo federal.
Celina rebateu as declarações em uma publicação nas redes sociais. A governadora afirmou que Lula estaria agindo como presidente de partido e criticou a recusa a um empréstimo para o Banco de Brasília. Também disse que o banco pertence à população do DF e não deveria ser usado em disputa partidária.


