Jones Manoel, candidato do PSOL a deputado federal por Pernambuco, afirma que decidiu disputar uma vaga na Câmara para fortalecer um projeto comunista e ampliar o diálogo da esquerda com a juventude. Historiador, ele ganhou projeção com vídeos de análise política e debates com representantes da direita. Seu perfil no Instagram tem mais de 2 milhões de seguidores e recebeu mais de R$ 600 mil em doações de apoiadores.
O candidato havia defendido uma candidatura própria à Presidência, mas disse que não encontrou espaço partidário para isso. Na avaliação dele, seria necessária uma candidatura comunista revolucionária, com um programa antineoliberal e capacidade de atrair jovens que poderiam se aproximar da direita e da extrema direita. A disputa por uma cadeira de deputado, segundo Jones Manoel, foi escolhida coletivamente como forma de acumular forças para esse campo.
Ele também avaliou que Lula tem pouca penetração entre os jovens. Para Jones Manoel, o discurso do presidente é mais direcionado a pessoas com 40 anos ou mais do que ao público de 15 a 25 anos. O candidato disse que são poucas as figuras da esquerda capazes de dialogar com essa faixa etária e formar bases sociais entre seus integrantes.
Redes sociais e condições econômicas
Jones Manoel afirmou que sua campanha não conseguiu desenvolver uma estratégia digital eficiente. Segundo ele, seus perfis na Meta ficaram restritos até 27 de agosto, com proibição de anúncios. A campanha recorreu à Justiça para retirar a restrição. Ele também afirmou que a entrega das publicações da rede está muito baixa e que a limitação não foi justificada.
Ao tratar das dificuldades enfrentadas pelos jovens, o candidato atribuiu a informalidade, os bicos e a falta de perspectiva ao modelo econômico brasileiro. Ele descreveu a economia como dependente e neoliberal, baseada na agroexportação de produtos como soja, carne, minério bruto e petróleo bruto, além do rentismo, do poder dos bancos e dos fundos de investimento e da presença de capital estrangeiro.
Na avaliação dele, a desindustrialização e a dependência de tecnologia importada reduzem a oferta de empregos complexos e em grande escala. Jones Manoel também classificou como grave o endividamento das famílias. Ele afirmou que há 90 milhões de famílias endividadas e que 9,1 milhões de empresas estão inadimplentes no Brasil.
Para o candidato, a falta de alternativas pode levar jovens à desesperança e à busca por renda em atividades como produção de conteúdo para TikTok, YouTube, OnlyFans e Privacy.
Propostas para Pernambuco e o país
Jones Manoel afirmou que Pernambuco tem uma economia pouco diversificada e com baixa aplicação de tecnologia. Segundo ele, a industrialização e os serviços complexos se concentraram mais no Sudeste e no Sul. O candidato citou um aumento recente do emprego associado a obras do programa estadual PE na Estrada, mas disse que essas vagas são sazonais e devem desaparecer quando os trabalhos terminarem.
Se for eleito, ele promete um mandato participativo, com planejamento e definição das emendas em plenárias deliberativas no agreste, no sertão e na zona da mata. Apesar da atuação voltada ao estado, afirmou que seus projetos de lei terão alcance nacional.
Entre as propostas, estão uma lei para limitar a taxa de juros a no máximo 10% ao ano em qualquer modalidade de financiamento e uma política nacional de mobilidade estudantil intermunicipal, com recursos federais para estudantes de universidades públicas.
O candidato também defende a retomada de setores estratégicos privatizados. Em Pernambuco, disse que pretende atuar contra a privatização da Compesa, companhia de saneamento e distribuição de água. Para ele, os problemas do estado têm características próprias, mas também fazem parte de questões nacionais.



