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Oceano absorve calor e acelera alta do nível do mar, aponta relatório

Estudo com mais de 120 cientistas registra aumento da salinidade, acidificação e redução do gelo marinho em várias regiões.

Oceano absorve calor e acelera alta do nível do mar, aponta relatório
Foto: Reuters

O oceano absorveu cerca de 90% do excesso de calor retido no planeta pelas emissões de gases de efeito estufa provocadas pela atividade humana. O aquecimento contribuiu para mudanças na salinidade, aumento da acidez e aceleração da elevação do nível do mar, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (30) pelo Mercator Ocean International, serviço marinho da União Europeia.

O documento reúne o trabalho de mais de 120 cientistas de diferentes países. A estimativa é que o oceano tenha acumulado 23 zettajoules de calor somente em 2025, volume equivalente a cerca de 40 vezes a energia consumida pelo mundo inteiro no ano passado.

Nível do mar e acidez

A alta média do nível do mar foi estimada em cerca de 3,8 mm por ano entre 1999 e 2025. Entre 2012 e 2025, porém, o ritmo chegou a 4,2 mm por ano. O relatório afirma que a aceleração deve intensificar os efeitos das marés de tempestade e dos episódios de ondas extremas.

Nos pequenos Estados insulares, cerca de dois terços das zonas econômicas foram afetados pela elevação do nível do mar desde 1999. Essas áreas estão entre as mais expostas às mudanças climáticas, de acordo com os cientistas.

A absorção de dióxido de carbono fez o oceano ficar 17% mais ácido entre 1985 e 2025. As áreas que já eram mais salgadas também registraram aumento da salinidade nos últimos anos, segundo Ana Claudia Parracho, uma das autoras. A análise considera o período desde 2011 e combina dados de satélite com tendências de longo prazo.

Calor extremo e gelo marinho

Ondas de calor no mar duraram mais de 30 dias em alguns casos. Em 2024, as temperaturas nos mares Mediterrâneo e Negro chegaram a ficar mais de 4,6°C acima da média.

No Ártico, as temperaturas da água do mar e da superfície do gelo marinho aumentaram 4,2°C nas últimas quatro décadas. A extensão do gelo diminuiu, em média, aproximadamente 4% por década, enquanto a temperatura do ar na região subiu 2,8°C no mesmo período.

Desde o início da década de 1980, houve redução do gelo marinho em todas as áreas do Ártico com ocorrência sazonal. As maiores perdas foram registradas na baía de Hudson, no Canadá, com queda de 16% por década; no mar de Barents, ao norte da Noruega, com 12%; e na plataforma continental da Groenlândia Oriental, com 8%.

Na Antártida, a redução do gelo marinho já afetava populações de pinguins e alterava a biodiversidade regional, disseram os cientistas.

Para Pierre Bahurel, diretor-geral do Mercator Ocean International, “O oceano está mudando rapidamente.” O relatório foi divulgado durante um episódio de El Niño que, segundo alguns indicadores, já bate recordes e deve atingir o pico até o fim do ano. Karina von Schuckmann, diretora do Relatório Copernicus sobre o Estado do Oceano, afirmou que 2026 deve superar os recordes de temperatura marítima registrados em 2023 e 2024, durante o ciclo anterior do fenômeno.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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