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ONU reconhece permanência de Estados mesmo com perda de território pelo mar

Declaração aprovada em Nova York mantém reconhecimento internacional de países afetados pela elevação do nível do mar.

ONU reconhece permanência de Estados mesmo com perda de território pelo mar
Foto: AFP

Líderes mundiais aprovaram por consenso, nesta quinta-feira (24), uma declaração que mantém o reconhecimento como Estados de países que perderem parte ou todo o território por causa da elevação do nível do mar. O acordo também assegura a continuidade do reconhecimento dessas nações no sistema internacional.

A Declaração das Nações Unidas sobre a Elevação do Nível do Mar foi adotada durante uma reunião da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. O documento, concluído no mês passado, é o primeiro aprovado por todos os Estados-membros sobre o tema.

A declaração afirma que, depois de estabelecido um Estado, a perda de um de seus elementos constitutivos não implica necessariamente o fim dessa condição. O texto também pede apoio internacional aos países que enfrentam mudanças em seu território terrestre provocadas pelo avanço do mar.

Impactos sobre países insulares

A elevação do nível dos oceanos é associada ao derretimento de geleiras e calotas polares e ao aquecimento da água, que se expande quando fica mais quente. Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU), o nível médio global do mar sobe em ritmo cada vez mais acelerado.

A Organização Meteorológica Mundial estima que, até 2100, o nível do mar terá aumentado pelo menos 0,5 metro. Projeções mais pessimistas indicam uma elevação de 2 metros. Tuvalu, Kiribati e as Ilhas Marshall estão entre os países do Pacífico mais expostos; seus territórios ficam cerca de 2 metros acima do nível do mar.

“Uma vez estabelecido um Estado, o desaparecimento de um de seus elementos constitutivos não implicaria necessariamente a perda de sua condição de Estado”, diz a declaração.

Estimativas citadas no documento apontam que 770 milhões de pessoas vivem em áreas costeiras afetadas pelo avanço do mar. Uma elevação de meio metro até o fim do século poderia fazer entre 150 milhões e 300 milhões de pessoas deixarem suas casas.

O presidente de Palau, Surangel Whipps Jr., afirmou que o fenômeno ameaça o litoral, as moradias e os modos de vida, mas não os direitos legais nem o reconhecimento dos países como Estados. Ele lidera o Aosis, bloco de negociação das pequenas nações insulares nas conferências climáticas da ONU.

Whipps disse que, na COP31, o grupo pressionará os grandes emissores por cortes rápidos nas emissões e por financiamento para adaptação. A conferência será realizada em novembro, em Antália, na Turquia, com a chefia dividida entre o país e a Austrália.

No Pacífico tropical ocidental, o nível do mar subiu de 10 a 15 centímetros desde 1993, quase o dobro da média global, segundo a Organização Meteorológica Mundial. O aumento elevou a frequência das inundações costeiras.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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