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Política

Violência contra mulheres pesa no voto e expõe diferenças entre eleitoras

Dados de segurança e relatos de quatro mulheres mostram como medo, proteção e políticas públicas entram nas escolhas eleitorais.

Violência contra mulheres pesa no voto e expõe diferenças entre eleitoras
Foto: Gabriela Biló/Folhapress

A violência contra as mulheres aparece como uma das principais preocupações eleitorais em relatos de diferentes perfis e regiões do país. No ano passado, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio, uma média de quatro por dia. Destas, 65% eram negras e 62% foram mortas em casa.

Para cada feminicídio, foram registradas 501 ameaças e 182 agressões físicas. Também houve 231 estupros de mulheres por dia, sendo que 77% das vítimas tinham até 13 anos. Especialistas estimam que apenas uma parcela dos casos chega aos boletins de ocorrência.

Os números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública aparecem em uma série de entrevistas com 15 mulheres sobre voto, segurança e o país que desejam. O tema atravessou os relatos, junto com o medo e as estratégias para lidar com a violência.

Medo e proteção

Janaína Almeida, pernambucana de 43 anos, sofreu agressões depois de se casar aos 20 anos. Hoje, trabalha como representante de um aplicativo que alerta mulheres sobre a aproximação de agressores sujeitos a medidas protetivas. Mãe de cinco filhos e liderança na Assembleia de Deus que frequenta em Olinda (PE), ela afirma que transformou a experiência em atuação contra a violência doméstica.

Janaína votará em Flávio Bolsonaro (PL), embora diga ter mais entusiasmo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Ela discorda, porém, da flexibilização da posse e do porte de armas. “Arma deveria estar na mão só de quem está preparado para usá-la”, afirma. Para ela, reduzir a violência contra a mulher é uma pauta que deve superar as divisões ideológicas.

A professora da UnB Flávia Biroli afirma que as mulheres tendem a confiar mais no Estado e a desconfiar de respostas baseadas apenas no aumento das punições. Entre as razões, está o fato de que muitas falam a partir da experiência de perder filhos e companheiros.

A mestre de obras Cenir Aparecida da Silva, 58 anos, mãe solo de quatro filhos, conta que preferia deixá-los sob os cuidados da filha mais velha a ter um homem em casa, por falta de creches. Ela cresceu em uma residência violenta e, depois de adulta, percebeu em terapia que havia sido violentada na infância. Cenir votará em Lula e associa os Bolsonaro a formas de machismo relacionadas à violência de gênero.

Segurança nas ruas e no campo

A assistente social Patrícia Maria da Cruz Silva Oliveira, 44 anos, cria sozinha dois filhos no Recife. Viúva há nove anos, diz evitar andar na rua por medo. Para ela, permanecer solteira se tornou uma forma de defesa e também uma posição política. Há 3,3 milhões de viúvas aptas a votar, contra 685 mil viúvos.

Patrícia votará em Lula por causa dos efeitos que atribui às políticas sociais dos governos petistas e por sua rejeição ao bolsonarismo. Ela afirma, contudo, que existe distância entre as políticas do governo e aquilo que assusta as mulheres, como a falta de segurança para voltar para casa.

A pecuarista Antonia Scalzilli, 45 anos, é separada e mãe de duas adolescentes em Bagé (RS). Desde 2013, atua nas discussões sobre segurança no campo, depois de uma sequência de roubos de gado em suas terras. Ela também participou da implantação de delegacias especializadas em crimes rurais.

Antonia diz que se sente vulnerável por estar longe da cidade e dos serviços de emergência. Ainda não decidiu seu voto, mas afirma que seu projeto é de centro-direita e que não quer mais um ano de PT. Em um eventual segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula, votará no candidato do PL.

Uma pesquisa dos institutos Update e Fogo Cruzado mostrou que 92% dos entrevistados reconhecem que as mulheres estão mais expostas à violência. Na etapa qualitativa, elas relataram viver em estado de alerta permanente.

Entre as eleitoras, Flávio Bolsonaro tem rejeição maior que Lula, mas avançou nas intenções de voto. Ele passou de 29% para 33% entre agosto e a semana passada, enquanto Lula oscilou de 41% para 42%, segundo o Datafolha. A segurança pública é uma das áreas mais difíceis para Lula na tentativa de reeleição, embora parte das atribuições esteja nos estados.

Outra pesquisa, dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, apontou que 54% das mulheres dizem ter sofrido alguma violência prevista na Lei Maria da Penha. Entre os homens, 11% admitem ter agredido parceiras ou ex-parceiras.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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