SÃO PAULO — O estado de São Paulo registrou 347 casos de leptospirose entre janeiro e agosto de 2026, informou a Secretaria de Estado da Saúde (SES). Em todo o ano passado, foram 451 casos.
A capital paulista concentra o maior número de ocorrências neste ano, com 93 registros. Mogi das Cruzes e Campinas aparecem na sequência, com 34 casos cada uma, seguidas por Santos, com 33.
A doença é causada pela bactéria Leptospira, eliminada na urina de animais infectados. Os principais transmissores são ratos urbanos, mas cães, bois e porcos também podem carregar a bactéria.
Enchentes e alagamentos favorecem a transmissão porque a água pode se misturar à urina de ratos em bueiros, esgotos e outros locais. O contato com a água ou a lama contaminada pode causar infecção mesmo quando não há ferimentos na pele. Cortes e arranhões aumentam a facilidade de entrada da bactéria, assim como o contato com olhos, boca e nariz.
Sintomas e tratamento
O intervalo entre a exposição e o aparecimento dos primeiros sinais varia de um a 30 dias, com maior frequência entre sete e 14 dias. Febre, dor de cabeça, falta de apetite, náuseas, vômitos e dor muscular, sobretudo nas panturrilhas, estão entre os sintomas iniciais. Também podem ocorrer diarreia, dor nas articulações, olhos avermelhados e tosse.
Como esses sinais podem se parecer com os de outras infecções, a orientação é informar ao profissional de saúde qualquer contato recente com água ou lama de enchentes.
Na maioria das situações, a leptospirose não chega a formas graves. Aproximadamente 15% dos casos, porém, podem apresentar icterícia, comprometimento dos rins, sangramentos e dificuldade respiratória. A terapia usa antibióticos, oferecidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde), e deve ser definida por um profissional de saúde. O Ministério da Saúde recomenda começar o tratamento quando houver suspeita, pois os medicamentos tendem a funcionar melhor na primeira semana dos sintomas. Quadros graves podem demandar internação e cuidados para complicações renais e respiratórias. A automedicação não é recomendada.
Como prevenir
A recomendação principal é não entrar em contato com água e lama de enchentes. Se isso for inevitável, devem ser usadas botas e luvas impermeáveis, além de curativos à prova d'água em cortes e arranhões.
Na limpeza de locais atingidos, é necessário proteger-se para remover a lama e higienizar as superfícies. Alimentos que tiveram contato com a água da inundação devem ser descartados. Para beber, a água precisa ser potável, filtrada, fervida ou clorada.
O Ministério da Saúde também orienta acondicionar bem o lixo, guardar alimentos de forma adequada, vedar caixas-d'água e fechar frestas e aberturas para reduzir a presença de roedores.



