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Aos 71, voluntária apoia partos e mães no Vila Nova Cachoeirinha

Rosângela Ferro atua há 27 anos como doula no hospital municipal e acompanha gestantes com apoio emocional, físico e informativo.

Aos 71, voluntária apoia partos e mães no Vila Nova Cachoeirinha
Foto: Folhapress

Rosângela Aparecida Ferro, 71, acompanha gestantes há 27 anos no Hospital e Maternidade Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo. Conhecida como Dona Rô, ela atua como doula voluntária e oferece apoio por meio do toque, da conversa e de explicações sobre as etapas do parto.

Durante o atendimento, Rosângela explica a origem da dor, indica em que momento do parto a mulher está e atende aos pedidos da mãe. Ela circula pelos corredores da unidade, visitando gestantes que aguardam o parto, mulheres que estão dando à luz e pacientes em recuperação de cirurgia. “É uma bênção divina”, resume ao falar da função.

A atuação integra o Programa Voluntários da Saúde, da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. A rede municipal tem hoje 650 voluntários, mas a pasta não informa quantos são doulas. O programa também oferece atividades de arte, cultura e empreendedorismo.

Apoio durante o parto

As doulas oferecem suporte emocional, físico e informativo. Não são parteiras e não realizam exames nem intervenções médicas. No SUS, a presença delas é um direito da mãe, exceto em casos graves que possam exigir cirurgias mais invasivas.

Em 2021, a atividade foi reconhecida pelo Estado brasileiro como profissão, com exigência de critérios de formação, entre eles um curso de 120 horas. O trabalho pode ser remunerado, mas Rosângela não recebe pelo que faz. “Jamais aceitaria receber qualquer valor”, afirma.

Moradora da Vila Cachoeirinha, ela atende principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade econômica de comunidades da zona norte. Também compra roupas para bebês, arrecada livros infantis e ajuda mães a levarem exemplares para os filhos que estão em casa.

Rosângela complementa a renda com artesanato e diz que parte do dinheiro é usada nessas iniciativas. Ela relata encontrar no hospital adolescentes sozinhas, mulheres em situação de rua e vítimas de violência sexual.

Rotina sem horário fixo

A rotina começou em 1999, quando um médico do Vila Nova Cachoeirinha a convidou para ser voluntária. Depois de alguns anos, ela fez um curso de qualificação oferecido pela Prefeitura de São Paulo.

Rosângela vai ao hospital todas as segundas-feiras e todos os sábados, além de comparecer quando há um parto ou quando é solicitada por uma gestante. Aos sábados, acorda às 5h, toma café e chega à unidade às 7h. A saída depende do andamento dos partos: em algumas ocasiões, permanece até a madrugada.

Ela tem duas filhas, de 43 e 39 anos, e dois netos, um menino de 12 anos e uma menina de cinco. O interesse pelo trabalho, segundo ela, surgiu da maternidade e da experiência anterior com atividades voluntárias.

Na manhã do último dia 17, acompanhou o parto de Maitê, filha de Jhennyfer Victoria Rodrigues, 19. A mãe disse que recebeu apoio psicológico e físico da doula. No pré-parto, Cátia, 37, e Gildásio, 39, aguardavam o nascimento de Daniel. O pai afirmou que a conversa com Rosângela o ajudou a ficar mais calmo.

Em agosto, um casal de imigrantes bolivianos deu à primeira filha o nome de Rosângela. Ela também passou a orientar mães que estão fora de São Paulo por WhatsApp, mas afirma que é no hospital que consegue colocar em prática seu entendimento de caridade.

Rosângela diz que não pretende parar por enquanto. Em um dia de trabalho, pode acompanhar mais 12 ou 13 partos antes de se sentir pronta para voltar para casa.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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