SÃO PAULO — Executivos e especialistas defenderam que o próximo governo priorize a disciplina fiscal, mas disseram que o ajuste das contas públicas dependerá de confiança, transparência e uma visão clara para a economia. As avaliações foram feitas nesta quinta-feira (24), em um evento em São Paulo.
Para os participantes, não haverá uma solução imediata para problemas como a situação fiscal, a Previdência, os juros e a trajetória da dívida. O economista Arminio Fraga, sócio-fundador da Gávea Investimentos e ex-presidente do Banco Central, afirmou que o próximo governo precisará combinar ações concretas com uma perspectiva de futuro capaz de reduzir a polarização.
Leandro Vilain, presidente da Associação Brasileira de Bancos e futuro presidente da Febraban a partir de novembro, também descartou uma solução isolada para a economia. Ele disse que as contas públicas e a Previdência terão de ser enfrentadas e que os juros dependerão dessas medidas e de fatores externos, como a guerra e o petróleo.
Isaac Sidney, atual presidente da Febraban, defendeu que a nova gestão apresente desde o início duas frentes: uma agenda de investimentos e produtividade e outra de contenção fiscal. Na avaliação dele, um conjunto de medidas crível ajudaria a orientar as expectativas dos agentes econômicos.
Reformas e ambiente de negócios
Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset, disse que o próximo presidente terá de agir rapidamente para mudar a percepção de que a dinâmica fiscal é insustentável. O objetivo, segundo ele, seria concluir o mandato com um Orçamento mais saudável, moderno e alinhado à realidade da população.
Piero Minardi, sócio-fundador da Lazuli Partners, afirmou que a confiança dos investidores em uma política de disciplina fiscal deveria ser a primeira conquista na área econômica. Ele também defendeu uma reforma da Previdência antes do fim do próximo mandato.
Eduardo Monteiro, vice-presidente para Brasil e Paraguai da Mosaic, apontou a revisão das políticas monetária e fiscal como prioridade. Segundo ele, os juros altos dificultam o acesso ao crédito e afetam o agronegócio. André Porto, diretor executivo da Amobitec, também colocou o equilíbrio fiscal no centro da agenda, relacionando-o à estabilidade e ao crescimento sustentável.
Outros participantes apresentaram propostas setoriais. Alessandro Cunha, CEO da Aviva, defendeu mudanças mais profundas nas relações de emprego e maior flexibilidade para trabalhadores e empresas. Donovan Ferreti, diretor-gerente da Ticketmaster Brasil, pediu medidas para as empresas de apostas e regras mais rígidas para a revenda de ingressos, especialmente em relação a fraudes online.
Camila Pantera, co-CEO e diretora jurídica e de regulação da N5X, afirmou que o fortalecimento das instituições deveria orientar as primeiras decisões do governo. Ela citou a CVM, o Banco Central e a Aneel e defendeu uma política para o mercado de gás natural, com integração entre agências reguladoras estaduais.
Bruno Rossini, diretor de comunicação da 99, disse que o governo deveria criar condições para elevar a competitividade das empresas de tecnologia, ampliar a digitalização de serviços e preservar a estabilidade jurídica.



