Mensagens extraídas pela Polícia Federal indicam uma relação de amizade entre Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As conversas foram trocadas em fevereiro de 2025, quando Alcolumbre foi eleito para comandar a Casa.
Vorcaro parabenizou o senador e desejou sucesso em sua nova função. Alcolumbre respondeu: “Fala meu amor! Muito obrigado por tudo, em especial pelo seu carinho e amizade fraterna! Gratidão!”. Em seguida, o presidente do Senado afirmou que Vorcaro era seu irmão para a vida toda. O banqueiro respondeu que estaria disponível “a qualquer tempo pra qualquer coisa”.
A assessoria de Alcolumbre foi procurada por mensagem para comentar o conteúdo, mas não respondeu até a publicação.
As mensagens também mencionam Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo de Jair Bolsonaro, em conversas de outubro de 2023 sobre festas de um grupo chamado “Macallan”. Em um dos diálogos, Faria faz referência à presença de mulheres e cita Alcolumbre. Vorcaro responde com uma brincadeira sobre o grupo.
Evento em Londres
Em 28 de março de 2024, Vorcaro e Faria conversaram sobre a contratação de mulheres para um evento paralelo a um fórum sobre o cenário jurídico no Brasil, previsto para ocorrer em Londres, em abril. Vorcaro demonstrou preocupação com a discrição e afirmou que alguns convidados poderiam estar interessados apenas nas mulheres.
Faria respondeu que seria possível realizar o encontro em outro local e mencionou a contratação de quatro mulheres para uma suíte. Também disse que faria um pacto com Alcolumbre para que apenas o “careca” soubesse. Conversas anteriores indicam que Vorcaro e Faria usavam esse termo para se referir a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal.
Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, também aparece nos diálogos. Em julho de 2025, após o Banco Central vetar a venda do Banco Master ao BRB, Vorcaro disse que havia tentado falar com Alcolumbre, mas que o senador não tinha informações sobre a negociação.
Motta afirmou que Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, havia combinado de ir à casa de Alcolumbre depois de uma reunião. As mensagens não esclarecem o conteúdo do possível encontro.
As assessorias de Fábio Faria, Hugo Motta e Gabriel Galípolo também foram procuradas e não responderam até a publicação.



