A revista britânica The Economist afirmou, em editorial publicado nesta quinta-feira (24), que o Brasil enfrenta uma escolha ruim entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais deste ano. O texto aponta Renan Santos (Missão) como o candidato com propostas mais adequadas ao momento do país.
A avaliação é que Lula e Flávio não teriam condições de conduzir reformas consideradas necessárias, principalmente a redução dos gastos públicos. Renan é descrito como um libertário que defende mudanças estruturais profundas e cortes no orçamento para transformar o Brasil em uma grande potência.
Propostas e críticas aos candidatos
Entre as propostas atribuídas a Renan estão a reformulação completa do Bolsa Família, o fim das cotas no ensino superior e no serviço público, alterações na distribuição de recursos aos estados e o desenvolvimento de uma bomba atômica. O editorial afirma que essa última medida poderia provocar uma corrida armamentista na América do Sul, segundo especialistas.
A revista também avalia que Renan e outros candidatos de fora das estruturas políticas tradicionais não demonstraram força suficiente para enfrentar as máquinas eleitorais de Lula e Flávio. Para o editorial, o país caminha para uma crise previsível enquanto a maior parte da elite política permanece confortável com a situação atual.
Renan comentou a publicação em um vídeo divulgado na quinta-feira. O candidato afirmou que “a revista mais influente do mundo” disse o que a mídia brasileira não teria tido coragem de dizer.
Sobre Lula, a Economist reconhece posições favoráveis à democracia e ao meio ambiente, mas afirma que o presidente fez pouco para estimular o crescimento e conter as despesas. O editorial também menciona que Lula vai fazer 81 anos e compara sua idade à de Joe Biden quando o democrata abandonou a campanha eleitoral em 2024.
A publicação ainda retoma uma declaração de Lula, feita em fevereiro de 2025, na qual o presidente classificou o déficit fiscal como “bobagem”.
Em relação a Flávio Bolsonaro, o editorial afirma que o senador nega as causas da mudança climática, questiona a lisura das urnas eletrônicas e sugere que poderia não respeitar o resultado de uma eventual vitória de Lula. A revista também diz que a principal promessa do senador seria conceder indulto ao pai, condenado a 27 anos de prisão por planejar um golpe que incluía um plano para assassinar Lula.
Dívida, orçamento e instituições
A Economist identifica a corrupção sistêmica e a expansão do gasto público como os dois principais problemas brasileiros. Sem um plano para reduzir a dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o risco de uma espiral inflacionária manteria os juros elevados e reduziria o capital disponível para ganhos de produtividade e crescimento, segundo o editorial.
A revista critica ainda o modelo orçamentário do país. De acordo com o texto, 92% do orçamento é obrigatório por causa das leis e da Constituição brasileira, restando uma parcela pequena para decisões discricionárias dos governos.
Apesar das críticas, o editorial afirma que o futuro do Brasil não está perdido. Entre os sinais positivos, cita o funcionamento das instituições, a atuação da Polícia Federal na investigação da fraude do Banco Master e da tentativa de golpe, a independência da imprensa e o respeito internacional ao Itamaraty.
Para a revista, apenas uma crise da dívida pública com impacto recessivo poderia levar os brasileiros a apoiar alguém disposto a defender sacrifícios para alcançar um futuro diferente.



