Os preços da alimentação consumida em casa subiram 0,38% em setembro, após duas quedas consecutivas, e pressionaram o IPCA-15, prévia da inflação oficial. O resultado divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (25) ficou acima da expectativa de analistas do mercado financeiro.
Em julho e agosto, os preços dos alimentos haviam recuado 1,14% e 0,97%, respectivamente. Entre os itens que ficaram mais caros neste mês, o instituto destacou o tomate, com alta de 20,76%, o arroz, que subiu 2,39%, e as carnes, com aumento de 1,3%.
Para André Braz, economista do FGV Ibre, a alta dos alimentos representa a perda de um fator que vinha ajudando a conter a inflação. O tomate, segundo ele, foi afetado pela menor disponibilidade após o frio atrasar a maturação do produto. Braz afirmou que os preços podem se acomodar mais adiante, diante de sinais recentes de queda no atacado.
O economista apontou maior preocupação com o arroz, devido à perspectiva de uma safra menor. Nas carnes, a pressão estaria relacionada à menor oferta de animais prontos para o abate.
No sentido oposto, o feijão-carioca caiu 6,33%, a cebola recuou 4,41% e o café moído ficou 1,36% mais barato.
O grupo alimentação e bebidas, que inclui os produtos consumidos em casa e as refeições fora do domicílio, avançou 0,4% em setembro. O índice havia registrado baixas de 0,66% em julho e 0,57% em agosto. Comer fora ficou 0,44% mais caro neste mês, após alta de 0,42% em agosto.
No acumulado de 2026 até setembro, a alimentação no domicílio subiu 4,08%. No mesmo intervalo de 2022, o avanço havia sido de 11,82%.
Inflação e período de coleta
A alimentação voltou a subir às vésperas do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. O custo de vida é utilizado na campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para tentar desgastar o presidente Lula (PT). Lula busca o quarto mandato, enquanto sua campanha destaca indicadores de emprego e renda e medidas como o reajuste do salário mínimo acima da inflação.
O IPCA-15 antecipa sinais sobre o comportamento do IPCA, índice usado como referência para a política de juros do Banco Central. A coleta da prévia de setembro ocorreu de 15 de agosto a 15 de setembro. Já o IPCA considera o mês de referência completo, e o resultado de setembro será divulgado pelo IBGE em 9 de outubro.
Para o último trimestre, Braz avalia que há maior risco de alta dos alimentos, com diferenças entre os produtos. Ele cita uma sazonalidade menos favorável e riscos climáticos associados ao El Niño como fatores que podem dificultar a recuperação da oferta.



