A taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre móvel encerrado em agosto, ante 5,6% nos três meses terminados em maio, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (29). O resultado é o menor para um período até agosto desde o início da série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), em 2012.
O índice ficou em linha com a mediana das projeções do mercado financeiro, também de 5,3%, segundo a Bloomberg. A taxa havia sido de 5,3% no trimestre móvel até julho, mas o IBGE não recomenda a comparação direta entre períodos com meses repetidos, como os encerrados em julho e agosto.
Ocupação e desemprego
A população desocupada foi estimada em 5,8 milhões até agosto. O número representa uma queda de 4,6%, ou 281 mil pessoas, em relação ao trimestre encerrado em maio, quando somava 6,1 milhões.
Já a população ocupada chegou a 103,5 milhões, o maior nível da série histórica. Houve alta de 0,8% no trimestre, com acréscimo de 774 mil pessoas.
A Pnad Contínua considera trabalhadores formais, com carteira assinada ou CNPJ, e informais, sem esses registros. Para as estatísticas oficiais, uma pessoa com 14 anos ou mais só é classificada como desempregada quando não tem trabalho e está procurando uma oportunidade.
Analistas avaliam que o mercado de trabalho continua mostrando força, mas apresenta sinais mais claros de desaceleração. A perda de ritmo ocorre em um cenário de juros altos usados para conter a inflação no país.
Esta é a última divulgação da Pnad antes do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo (4). Os dados indicam melhora dos indicadores de emprego e renda desde 2022, mas especialistas apontam desafios para os próximos quatro anos, incluindo informalidade, expansão do trabalho por aplicativos, pejotização, possíveis efeitos da inteligência artificial sobre vagas iniciais e a distância entre a formação profissional e as necessidades do mercado.
Analistas também relacionam o baixo desemprego ao desempenho da atividade econômica nos últimos anos, a medidas de estímulo do governo Lula (PT) e à mudança demográfica. Com o envelhecimento da população, uma parcela dos brasileiros tende a deixar o mercado e parar de procurar trabalho, reduzindo a pressão sobre a taxa de desemprego e aumentando a demanda por aposentadorias.



