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Cade amplia análise da compra da Medley pela EMS, negócio de R$ 3,2 bilhões

Órgão pediu novas informações sobre os efeitos da aquisição nos mercados de remédios contra enxaqueca e para estimular a ovulação.

Cade amplia análise da compra da Medley pela EMS, negócio de R$ 3,2 bilhões
Foto: Folhapress

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) declarou complexa a compra da Medley pelo grupo EMS, em uma operação estimada em R$ 3,2 bilhões. Com a decisão, o órgão vai aprofundar a análise dos efeitos do negócio sobre a concorrência antes de decidir se autoriza ou não a transação.

A medida foi tomada na noite desta quinta-feira (17) e frustra a expectativa das empresas de obter uma aprovação mais rápida. O Cade determinou novas diligências e solicitou informações adicionais às companhias, com foco nos medicamentos estimulantes da ovulação e nos remédios contra enxaqueca.

Mercados sob análise

A aquisição envolve 100% da Medley, farmacêutica pertencente à francesa Sanofi, pela Novamed, do grupo EMS, controlado pelo empresário Carlos Sanchez. Anunciado em março, o negócio inclui 253 medicamentos, em sua maioria genéricos, distribuídos em 120 mercados de produtos diferentes.

A análise técnica não identificou preocupações na maioria desses mercados. As dúvidas se concentram no nível de rivalidade, nas condições para a entrada de novos concorrentes e na capacidade dos atuais fabricantes de disputar os segmentos em que há maior sobreposição entre as empresas.

Segundo dados de 2025 avaliados pelo Cade, a participação conjunta de EMS e Medley nos medicamentos estimulantes da ovulação, usados em tratamentos de infertilidade, ficaria entre 90% e 100% das unidades vendidas. Um dos produtos da Medley nessa categoria é o Clomid. Nos medicamentos usados contra enxaqueca, a participação combinada ficaria entre 50% e 60% em volume.

O Cade também pediu esclarecimentos sobre os medicamentos para infecções da área genital e vulvar causadas por fungos, vendidos no canal de atacado, além de outros pontos que possam aparecer durante a apuração. A operação foi apresentada pelas próprias empresas pelo rito ordinário e tem sobreposições em cerca de 40 classes terapêuticas.

A área técnica ainda vai avaliar se a estrutura do mercado de genéricos, que reúne diversos fabricantes, capacidade produtiva instalada e consumidores menos fiéis às marcas, é suficiente para limitar eventual poder de mercado da empresa resultante. Entre os concorrentes citados estão Eurofarma, Aché, Hypera, Cimed, Neo Química, Biolab e Prati-Donaduzzi.

Próximas etapas

Ao fim da análise, o Cade poderá aprovar a operação sem restrições, impor condições — como a venda de um grupo de medicamentos — ou recomendar a reprovação total. Esse último cenário é atualmente descartado pelos técnicos do órgão. A declaração de complexidade, por si só, não representa reprovação nem determina a imposição imediata de restrições.

As empresas têm até 15 dias para enviar informações adicionais. A expectativa inicial era de aprovação em julho, durante o mandato do ex-superintendente-geral Alexandre Barreto. Depois, passou-se a considerar uma decisão em setembro, mas os técnicos avaliam como mais provável que o parecer final seja concluído em outubro.

A EMS afirma que o mercado de genéricos é pulverizado e que a presença de vários concorrentes impediria o exercício de poder excessivo após a aquisição. Em nota, o grupo declarou que “confia na avaliação técnica conduzida pelo Cade e no rigor desse processo”.

O prazo legal para a análise de atos de concentração é de até 240 dias a partir do protocolo, com possibilidade de prorrogação por até 90 dias mediante decisão do Tribunal do Cade. Mesmo que a área técnica aprove a operação, os conselheiros podem determinar uma nova análise pelo tribunal.

Estratégia da EMS

A compra é considerada estratégica para ampliar a presença da EMS no mercado brasileiro de genéricos. Antes da operação, a empresa estimava deter cerca de 23,5% desse mercado. Com a incorporação da Medley, a participação poderia chegar aproximadamente a entre 30% e 31%, segundo dados da própria companhia.

O acordo prevê a manutenção da marca Medley e de sua estrutura industrial. A EMS informou que a fábrica da Medley em Campinas e seus funcionários seriam mantidos, enquanto as operações comerciais das duas marcas permaneceriam separadas. A conclusão da transação depende da aprovação do Cade e de outras condições regulatórias.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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