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Canadá inicia retaliação contra tarifas dos Estados Unidos

Medidas canadenses alcançam US$ 20 bilhões em produtos americanos após o fracasso das negociações entre os dois países.

Canadá inicia retaliação contra tarifas dos Estados Unidos
Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein/Foto de arquivo

O Canadá começou a aplicar tarifas sobre produtos dos Estados Unidos avaliados em 27,6 bilhões de dólares canadenses, equivalentes a cerca de US$ 20 bilhões ou R$ 103 bilhões. As medidas foram anunciadas depois que as negociações entre os dois governos não avançaram.

A cobrança foi estruturada para alcançar setores atingidos pelas tarifas americanas. Na prática, Ottawa busca impor taxas de valor equivalente às aplicadas por Washington a produtos canadenses correspondentes. Mercadorias dos Estados Unidos que já estavam em trânsito quando as regras começaram a valer ficaram fora da medida, assim como itens que não sejam considerados de origem americana. As tarifas canadenses anteriores sobre automóveis americanos continuam em vigor.

Como a disputa evoluiu

O conflito começou no início de 2025, quando Trump, em seu segundo mandato, anunciou tarifas sobre produtos canadenses. O governo americano citou o combate ao tráfico de fentanil e a redução do déficit comercial dos Estados Unidos como justificativas. A entrada em vigor foi adiada por 30 dias após conversas entre os governos, mas Washington posteriormente adotou uma tarifa de 25% sobre vários produtos canadenses e outra de 10% sobre parte das importações de energia.

Ottawa reagiu com tarifas sobre alimentos, bebidas, eletrodomésticos, roupas e outros bens de consumo. A disputa se ampliou quando os Estados Unidos passaram a cobrar 25% sobre aço e alumínio importados. O Canadá respondeu incluindo produtos como computadores, servidores, monitores e equipamentos esportivos.

O setor automotivo foi incorporado ao conflito em março de 2025, quando Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre automóveis importados. Veículos que atendessem às exigências do acordo comercial entre Estados Unidos, Canadá e México, o USMCA, receberam tratamento diferente. Em abril, o Canadá aplicou tarifas sobre veículos americanos fora das regras do acordo e sobre determinados componentes produzidos fora da América do Norte.

As tentativas de acordo continuaram. Em maio, Carney se encontrou com Trump na Casa Branca e, no mês seguinte, os países estabeleceram um prazo de 30 dias para avançar nas conversas. As negociações foram interrompidas em junho por causa de uma disputa sobre o imposto canadense sobre serviços digitais. Ottawa retirou a medida posteriormente, mas a reabertura das tratativas não impediu a escalada.

Ainda em 2025, Washington elevou as tarifas para 50%. Em setembro, Ottawa retirou a maior parte das medidas de retaliação, mantendo as cobranças sobre aço, alumínio e automóveis.

Novas medidas em 2026

Em julho deste ano, os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 10% sobre produtos canadenses ligada a uma investigação sobre trabalho forçado. Itens que cumprissem as regras do USMCA ficaram isentos. No mesmo mês, Washington acionou a chamada Seção 338 da legislação comercial americana e anunciou tarifas adicionais de até 50% sobre cerca de 27,6 bilhões de dólares canadenses em mercadorias do Canadá.

A lista incluiu vinho, móveis, laticínios, cimento, roupas e equipamentos esportivos. Também em julho, ocorreu a primeira revisão obrigatória do USMCA. Os Estados Unidos decidiram não estender o tratado em sua forma atual, mas o acordo continua em vigor.

As negociações para evitar uma nova rodada de tarifas fracassaram em agosto. Em 22 de agosto, os Estados Unidos colocaram em vigor as tarifas de 50% sobre produtos canadenses. O governo de Carney anunciou a aplicação de medidas equivalentes a partir de 8 de setembro. Dois dias depois, Trump anunciou outra tarifa de 50% sobre carros, caminhões e peças automotivas canadenses a partir de janeiro de 2027.

Impactos sobre empresas e comércio

A integração econômica entre os dois países faz com que uma mesma cadeia produtiva atravesse a fronteira várias vezes. Na indústria automotiva, um componente pode ser produzido nos Estados Unidos, enviado ao Canadá para a montagem de um veículo e voltar ao mercado americano como parte do produto final.

O importador recolhe a tarifa à alfândega, mas o custo pode ser distribuído entre empresas e, conforme o produto e as condições do mercado, alcançar o consumidor. A ameaça sobre veículos também afeta montadoras instaladas no Canadá, que dependem de fornecedores de diferentes partes da América do Norte. Toyota e Honda respondem juntas por mais de três quartos dos veículos produzidos no país.

A fabricante canadense de jatos executivos Bombardier se tornou outro ponto de tensão. Na segunda-feira (7), Trump afirmou que a empresa deveria produzir seus aviões nos Estados Unidos para continuar vendendo no mercado americano. A companhia tem cerca de 3,5 mil funcionários no país, centros de serviços e fornecedores americanos. Também gasta mais de US$ 2,5 bilhões por ano com fornecedores dos Estados Unidos, e muitos de seus jatos usam motores fabricados no país.

O Canadá anunciou medidas para ampliar a produção doméstica. O governo destinou 4,7 bilhões de dólares canadenses à produção e manutenção de 313 vagões da VIA Rail no país. O projeto deve sustentar quase 700 empregos, e os equipamentos, antes fabricados nos Estados Unidos, passarão a ser produzidos no Canadá.

Os dados recentes do comércio canadense mostram os efeitos do ambiente de incerteza. Em julho, o superávit comercial de bens caiu para 769 milhões de dólares canadenses, ante 4,2 bilhões de dólares canadenses em junho. As exportações para os Estados Unidos recuaram 6,6%, enquanto as importações de produtos americanos avançaram 1,8%.

Em agosto, o Canadá perdeu cerca de 42 mil empregos, e a taxa de desemprego ficou em 6,4%. Esses resultados não podem ser atribuídos exclusivamente às tarifas, mas ocorreram durante o período de maior pressão sobre o comércio entre os dois países.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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