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Cartas de Pokémon e brinquedos antigos viram ativos milionários

Nostalgia, escassez e estado de conservação impulsionam o mercado de colecionáveis entre adultos com maior poder de compra.

Cartas de Pokémon e brinquedos antigos viram ativos milionários
Foto: Hennzo Pinheiro/Arquivo Pessoal

Brinquedos e colecionáveis ligados à infância passaram a movimentar valores que chegam a centenas de milhares ou milhões de reais. O mercado de cartas de Pokémon concentra alguns dos maiores negócios, mas a mesma lógica alcança produtos como Lego, Hot Wheels, Star Wars e jogos de tabuleiro.

Em fevereiro, uma carta Pikachu Illustrator, de 1998, foi vendida por US$ 16,5 milhões (R$ 84,81 milhões), o maior valor já registrado para uma carta. Outras unidades individuais também foram negociadas por mais de US$ 1 milhão (R$ 5,14 milhões).

A valorização pode ocorrer mesmo quando o preço inicial é baixo. Uma carta Mario Pikachu comprada por £30 (R$ 208,20) oito anos antes foi vendida recentemente por cerca de £20 mil (R$ 138 mil).

Nostalgia com maior poder de compra

Pessoas que acompanharam Pokémon desde o começo da franquia chegaram aos 30 e 40 anos com mais dinheiro disponível para comprar objetos associados à infância. “Essa geração tem como nostalgia o Pokémon”, disse Elliot Cabrol, comerciante de cartas que trabalha com o produto há mais de 20 anos.

Jordan Dunne deixou, em 2025, o emprego de analista de dados em um escritório de advocacia para atuar com cartas de Pokémon. O negócio dele deve alcançar cerca de £4 milhões (R$ 27,76 milhões) em vendas neste ano, ante £1,2 milhão (R$ 8,32 milhões) em 2025.

Em transmissões ao vivo no eBay, Dunne já vendeu cartas individuais por mais de £2 mil (R$ 13,88 mil). Algumas unidades, segundo ele, podem gerar até £60 mil (R$ 416,4 mil) em vendas em poucas horas. Em apenas três semanas de agosto, vendeu três cartas de sua coleção por cerca de £300 mil (R$ 2,082 milhões), o dobro do valor pago por elas um ano antes.

O movimento também inclui compradores que não trabalham com colecionáveis. Um carpinteiro de 25 anos voltou a reunir cartas de Pokémon e compra conjuntos antigos em estado impecável para repassá-los aos filhos no futuro.

Raridade e conservação definem os preços

Cartas antigas foram produzidas há décadas, e poucas permaneceram em boas condições. Já os modelos novos continuam sendo fabricados em grandes quantidades. Por isso, uma carta rara de Pikachu em estado considerado perfeito foi vendida recentemente por cerca de £250 mil (R$ 1,735 milhão), enquanto outra, um pouco mais danificada, valia aproximadamente £15 mil (R$ 104,1 mil).

Empresas especializadas avaliam as cartas em uma escala de 1 a 10, considerando riscos, bordas danificadas e o posicionamento da imagem. Uma versão de Pikachu de 2002 tem apenas 35 exemplares com a nota máxima.

A procura também pressionou o sistema de avaliação. Em agosto, uma empresa analisou mais de 1,3 milhão de cartas de Pokémon, dez vezes o volume registrado no mesmo mês de 2021. Em maio, interrompeu o recebimento de cartas de menor valor por falta de capacidade.

Feiras e mercado brasileiro

Uma feira de cartas em Farnborough, na Inglaterra, recebeu 10 mil pessoas em 2026, o dobro do ano anterior. Alguns compradores carregavam caixas trancadas e milhares de libras em dinheiro. Comerciantes chegaram a evitar a divulgação dos nomes por medo de roubos.

Em Londres, uma loja de colecionáveis foi invadida, e cartas de alto valor e outros produtos foram levados. No ano anterior, um homem foi preso em Manchester com um conjunto de cartas roubadas avaliado em £250 mil (R$ 1,735 milhão).

No Brasil, o empresário Paulo de Carvalho, de 45 anos, mantém aproximadamente cinco mil itens em um galpão em Cubatão (SP). Ele começou a colecionar brinquedos antigos na adolescência, depois de vender antiguidades com o avô, colecionador de moedas e cédulas. “Por que não colecionar brinquedos da minha infância que eu não pude ter?”, afirmou.

A procura também alcança produtos mais recentes e baratos, como Funko Pop, Sylvanian Families e a coleção de bonecos de Dragon Ball Z lançada pelo Burger King. O conjunto com seis bonecos foi anunciado em 31 de agosto e, menos de 15 dias depois, era vendido em outros sites por R$ 299,90.

Para esses compradores, os objetos podem funcionar como lembranças da infância e, em alguns casos, como itens pelos quais outras pessoas estão dispostas a pagar valores elevados.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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